NOÇÕES DE POLITICA - Humberto Pinho da Silva


COMO SE FAZ UM CORRUPTO

personNOÇÕES DE POLITICA - Humberto Pinho da Silva date_range20 Mar 2020 - 09h14

 



Vou-vos contar uma história. História verídica, segundo a senhora que ma contou, ocorrida com familiar, que esteve preso.



Não é alegre, nem tem fim feliz, mas serve para verificar como nasce um corrupto.



Alberto (nome fictício,) era um jovem que nasceu no seio de família cristã. A mãe, profundamente católica, educara-o dentro dos parametros do catolicismo.



Certa ocasião, o rapazinho, ao regressar do colégio, encontrou, na rua, porta-moedas, com dinheiro – quantia insignificante.



Ao chegar a casa, abeirou-se da mãe, e entregou-lho.



Esta, depois e verificar o conteúdo, disse-lhe:



- Alberto: não devemos ficar, com nada que não seja nosso. É feio e pecado. Vai, e entrega-o na polícia ou lança-o num marco postal.



Assim fez.



Entretanto o jovem, cresceu; e empregou-se na firma onde o pai trabalhava.



Feito curto estágio, o patrão – que era paternalista, – resolveu entregar-lhe o cargo de compra de material, já que seu pai e avô, sempre foram trabalhadores irrepreensíveis e honestíssimos.



Alberto, seguindo a norma da casa, pedia três orçamentos, levava-os ao chefe de contabilidade, que escolhia. Por vezes, este, solicitava-lhe uma ou duas facturas de artigos diferentes do que comprava. Dizia-lhe que era para acertar, as verbas, que dispunha.



Tudo corria bem, até que colegas da contabilidade vieram ter com ele, propondo-lhe um “ negócio”.



“Negócio” que todos faziam e que todos lucravam: compravam produtos: canetas permanentes, livros, discos, etc.…. etc. e pediam facturas de : papel de máquina e “químicos”.



Alberto hesitou, quis dizer que não, mas era tímido, além disso os colegas eram-lhe superiores hierárquicos.



Contrariado, cedeu. Para ele, ficou apenas um dicionário de português (!)… …



O tempo correu…Até que a secretaria fez requisição de papel. Não havia em stock. O facto foi levado ao patrão, que mandou chamar o Alberto.



Logo o mais astuto da contabilidade, declarou:



- “Quem vai falar, sou eu.”



Não conheço o que disse. Sabe-se que ao sair do gabinete, declarou:



- “Tudo resolvido. O que é preciso é ter lábia. Se fosse o rapaz, metia os pés pelas mãos, e todos ficávamos mal.



Alberto respirou fundo, e rezou à virgem por não ter sido descoberto.



Mas…pouco tempo depois, fornecedor habitual da firma, disse-lhe à puridade:



- “ Você pode ganhar muito, de forma legal. Peça dois orçamento e depois, mostramos Eu elaboro um mais barato. Dou-lhe três por cento ou dez, conforme os lucros.



Alberto, que era extremamente escrupuloso e honestíssimo. Cedeu…



Assim se fez corrupto…


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