VISÃO PERIFÉRICA


Cag**** históricas do Ibope e as desastrosas consequências nas eleições em Rondônia

personVISÃO PERIFÉRICA date_range23 Ago 2018 - 15h46

Cag**** históricas do Ibope e as desastrosas consequências nas eleições em Rondônia



Porto Velho, RO – O candidato ao Governo do Estado Expedito Júnior (PSDB) pode – e deve – comemorar e exaltar os resultados publicados pela primeira rodada da pesquisa Ibope¹ em Rondônia para as eleições 2018, mas, pelo próprio retrospecto do tucano, toda a cautela é necessária.



ENTENDA

Expedito lidera com 30% das intenções de voto, Acir tem 15% e Maurão 10%, aponta Ibope



 



Ele sabe: os números podem trair!



Há praticamente quatro anos, o instituto de pesquisa supostamente mais respeitado e cirúrgico do Brasil também colocou o peesseedebista no topo² da sondagem realizada ainda no primeiro turno.





A liderança estava clara com seus 35% de intenções de voto contra os 28% apresentados pelo então candidato à reeleição Confúcio Moura, do PMDB, e ainda estávamos em setembro de 2014.



Naquele panorama, a conta estava praticamente fechada – não tinha pra ninguém! Alguma semelhança com o resultado de agora?





Entretanto, no dia 03 de outubro daquele mesmo ano, dois dias antes da realização do primeiro turno, veio a virada homérica: aliás, Moura não só virou o jogo pra cima de Expedito como ficou oito pontos percentuais à sua frente³.



Incrível, não?



Urnas apuradas e, voilà!, diferença irrisória entre o nosso último ex-governador e o atualmente mais cotado para assumir as rédeas do Palácio Rio Madeira: 0,44%, exatos 3.557 votos computados a mais para o hoje candidato ao Senado pelo MDB.



Mesmo assim o Ibope acertou, não acertou? Mais ou menos... E adiante vamos explicar por que a enorme discrepância apresentada às vésperas das eleições tem o condão de mexer totalmente no tabuleiro.





RELEMBRE

Erros do Ibope em Rondônia colocam em xeque credibilidade do instituto de pesquisa



Cag**** históricas



A coluna ‘Visão Periférica’ entrou em contato com João Paulo Viana, professor de Ciência Política da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), analista político colaborador da colunaLegis-Ativo, veiculada no Estadão, e também do site de notícias Painel Político.



“De fato, o Ibope tem um histórico de pesquisas em Rondônia bastante polêmico. Em 1990, o então deputado federal e à época candidato ao Senado Chagas Neto, que faleceu recentemente no último mês de julho, liderou todas as pesquisas contra o senador e postulante à reeleição Odacir Soares, incluindo a de boca de urna apresentata pelo Ibope.  No dia da eleição Chagas Neto aparecia com cinco pontos percentuais à frente de Odacir Soares”, relatou.



 



Na visão do cientista político o que se viu, no entanto, foi um resultado catastrófico: Odacir venceu a eleição com pouco mais de cem mil votos contra 65 mil de Chagas Neto, apresentando uma diferença de cerca de 40 mil votos em relação ao adversário.



“Esse foi um dos maiores erros na história do Ibope no Brasil inteiro. Na eleição de 2014, o instituto também errou, e a meu ver acabou prejudicando e muito o Expedito Júnior naquele momento porque a última sondagem apontou que o Confúcio estava à frente dele com margem ampla de distância”, completou.



Para o professor João Paulo Viana, o resultado induz o eleitor porque há uma parte considerável do eleitorado que dará um voto útil àquele com mais chances de vitória.



“Quando as urnas foram apuradas, o Confúcio foi para o segundo turno com menos de 0,5% de diferença em relação ao Expedito. Ou seja, certamente aquela pesquisa contribuiu diretamente para que o Confúcio de fato vencesse o Expedito no primeiro turno e chegasse à próxima etapa na frente. Esses dois erros do Ibope, um em 1990, o outro em 2014, mostram bem como são complexas as pesquisas em Rondônia.





2016: vacilo do Ibope ou fenômeno Hildon Chaves?



Em 2016, por exemplo, o instituto chegou a colocar o então candidato à Prefeitura de Porto Velho Leo Moraes bem à frente na última pesquisa antes do primeiro turno4.



Após o resultado prático, o jornal eletrônicoRondônia Dinâmica publicou: ‘Editorial – É hora de o eleitor dar um pé na b**** do Ibope em Rondônia’.



 


 



“Tudo bem. Seria só mais uma bizarrice observada durante a chamada festa – para quem? – da democracia, não influenciasse diretamente o resultado colhido nas urnas. Por isso, inadmissível o erro crasso promovido pelo Ibope em sua última rodada veiculada no dia 30 de setembro deste ano [2016], dois dias antes da votação. Dr. Hildon Chaves, do PSDB, foi jogado em quinto lugar, com 9% das intenções de voto”, relatou a veiculação.



Em seguida, a indagação:



“[...] Pois bem, com cem por cento das urnas apuradas na Capital, Chaves não só vai ao segundo turno como foi o primeiríssimo lugar na disputa inicial envolvendo sete candidatos. É mole ou quer mais?”.



João Paulo enfatiza:



“Eu acho que naquele momento realmente havia um empate técnico entre o Leo e o Mauro [Nazif], porque o Hildon cresceu na última semana depois do debate da SICtv, a partir da semana final. E ele cresceu muito porque soube usar suas incursões na televisão, incluindo os embates com o Pimentel, Sobrinho, etc”, asseverou.



Doações



Os primeiros colocados nas pesquisas também recebem maior atenção das pessoas que pretendam, eventualmente, colaborar financeiramente nas campanhas. Em 2018 estão vetados os financiamentos empresariais, mas pessoas físicas estão livres para doar aos candidatos. Claro, desde que respeitem o limite imposto pela porcentagem ligada à renda do doador no ano anterior. Além do óbvio: nada de passar do teto estabelecido para os gastos de cada postulante.



Fator rádio/televisão



Com mais de quarenta dias de campanha pela frente muita coisa pode mudar, segundo João Paulo Viana. Principalmente porque as inserções das propagandas eleitorais começam agora. “As redes sociais são importantes, mas não tudo! Rádio e televisão influenciam e muito na opinião do eleitorado”, declarou.



Debate democrático?



Até para que haja democracia plena e prática durante as eleições é necessário compreender como os números do Ibope afetam os cenários de discussão como, por exemplo, o debate da Rede Globo, realizado aqui pela Rede Amazônica, TV Rondônia, sua afiliada regional.



Geralmente participam os seis melhores colocados na última pesquisa de intenção de votos publicada pouco antes do embate retórico entre os postulantes.



 



Com isso, se a covocação baseia-se exclusivamente em dados supostamente equivocados – levando em conta a sucessão de erros nos últimos anos – a margem para uma injustiça antidemocrática escancara-se diante de uma sociedade que espera ansiosamente por propostas e contrapontos.



“O critério estabalecido em lei para participação nos debates é a representação na bancada federal envolvendo a coligação de determinado candidato; agora, especificamente em relação à Globo e suas respectivas afiliadas, até agora a posição na pesquisa Ibope definiu os seis primeiros candidatos participando dos debates. Pode correr alguma injustiça neste último caso? Eventualmente, se a pesquisa estiver equivocada”, concluiu Viana. Não seria exagero levar em conta que de acordo com as estatísticas, na série histórica determinada, o Ibope errou 100% das pesquisas por aqui.



E aí, vai acreditar?




 


 



 

Sobre o autor

VISÃO PERIFÉRICA

POR: VINICIUS CANOVA