VISÃO PERIFÉRICA


Coronel Marcos Rocha e o dilema do cachorro que persegue os carros

personVISÃO PERIFÉRICA date_range13 Nov 2018 - 12h31

Coronel Marcos Rocha e o dilema do cachorro que persegue os carros



Quando o cão alcança o automóvel após correr quilômetros a fio percorrendo o rastro dos pneus, não sabe o que fazer



Porto Velho, RO – I'm a dog chasing cars. I wouldn't know what to do if I caught one. Numa tradução literal, a frase mencionada pelo inesquecível Coringa interpretado pelo saudoso Heath Ledger em O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight/2008) significa exatamente: “Sou um cachorro perseguindo carros. Eu não saberia o que fazer se alcançasse um”.



Ali, o personagem doentio, sádico e perverso insistia em convencer o promotor Harvey Dent, vivido por Aaron Eckhart, de que suas ações deliberadamente anarquistas vestiam endumentária libertária, como se representassem o apogeu do conceito de autodeterminação, deixando claro que a ideia tola de traçar metas e controlar o futuro restringia sobremaneira a criatividade humana.



Embora com uma tradução diferente, a assertiva nos serve aqui em Rondônia também, orbitando algumas nuances do roteiro dramático da ficção dirigida por Christopher Nolan.



Definitivamente, o governador eleito Coronel Marcos Rocha (PSL) quando decidiu disputar as eleições deste ano era o cão disposto a caçar o automóvel Palácio Rio Madeira, mas já deixou claro inúmeras vezes – e reforçou isso durante a coletiva de ontem (12) – que não detinha a mínima noção sobre o que fazer caso o alcançasse.





Marcos Rocha chegou lá: e agora!? / Reprodução



Outro exemplo claro dessa falta de crença em si e no projeto da legenda liberal a qual pertence está retratado no plágio escancarado, cópia comprovada após a comparação entre o seu Plano de Governo e o documento oficial apresentado pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG) em 2014, quando o tucano concorreu à Presidência da República.



Percebe-se, claramente, que o novo chefe do Executivo jogou por jogar, lançando suas chances à sorte, ao acaso de uma onda que poderia vingar ou não. Como vingou, sagrou-se vencedor sem estruturar-se, longe dos planejamentos habituais e, por conta dessa negligência específica, precisou tomar decisões atabalhoadas, como a lista pouco imaculada da transição.



A demora em anunciar os nomes do secretariado também não tem absolutamente nada a ver com zelo; é somente mais um sintoma do dilema vivenciado pelo homem no mundo paralelo à história do cachorro que alcançou o carro e agora não sabe o que fazer.



Por sorte, há outra sentença em The Dark Knight que me ajuda a repensar o caos estabelecido pelo panorama delineado por ora:




The night is darkest just before the dawn / A noite é mais escura pouco antes do amanhecer.




E espero que amanheça logo!


Sobre o autor

VISÃO PERIFÉRICA

POR: VINICIUS CANOVA