A VISÃO DEMOCRÁTICA (POR Celso Lungaretti )


É HORA DE TODOS CIVILIZADOS SE UNIREM NUMA AMPLA FRENTE DEMOCRÁTICA PARA BARRAR O FASCISMO!

personA VISÃO DEMOCRÁTICA (POR Celso Lungaretti ) date_range11 Out 2018 - 06h33

elio gaspari


JACQUES WAGNER

ENTRA EM CAMPO


Fernando Haddad e o comissariado petista querem costurar uma frente democrática para derrotar Jair Bolsonaro e puseram em campo o ex-ministro e ex-governador da Bahia, Jaques Wagner. Se conseguirem, no mínimo, levantam o nível da campanha.


 


Wagner é competente e seu desempenho na Bahia comprova isso. Governou o estado de 2007 a 2015, elegeu o sucessor que, por sua vez, acaba de se reeleger. 


 


Se lhe faltasse credencial, no início do ano defendia uma chapa com Ciro Gomes e Haddad na vice. Foi atropelado pelo oráculo de Curitiba, recolheu-se e foi tratar de sua campanha para o Senado.


 


As duas principais pontas dessa costura são Ciro Gomes e Fernando Henrique Cardoso. Ciro tem um capital eleitoral e já disse que ele não. Ainda falta que entre na campanha de Haddad.


 


Ele seria um corpo estranho no estilo que Haddad apresentou no 1º turno. A questão será saber em que tipo de campanha e de propostas cabem os dois.


 


Só o tempo dirá onde o PT estava com a cabeça quando atropelou-o e, sobretudo, quando Dilma Rousseff descumpriu a palavra dada ao irmão de Ciro, que lhe oferecia uma cadeira de senadora pelo Ceará. 


 


Roberto Mangabeira Unger, velho amigo dos Gomes, já conversou com Haddad.












Wagner tem de costurar uma frente como a da diretas-já



A ponta de Fernando Henrique Cardoso é mais delicada. Ele está fechado em copas, numa dupla negativa: “Não concordo com o reacionarismo cultural e o descompromisso institucional de uns vitoriosos e tampouco com a corrupção sistêmica e com o apoio ao arbítrio na Venezuela e em outros países”.



Para tirá-lo dessa posição será necessária muita conversa.


 


Mesmo assim, FHC sabe o peso biográfico de um eventual silêncio. São duas costuras possíveis para Jaques Wagner.


 


Uma parte do fenômeno Bolsonaro saiu do rancor petista, da eternizada adoração oracular a Lula e, sobretudo, da resistência dos comissários à autocrítica. 


 


Muitas pessoas podem até votar em Haddad, mas se o preço for defender a moralidade petista no balcão de uma lanchonete acabam votando no capitão. O rancor produzido pela onipotência virou veneno e ainda está lá.


 


Mesmo depois do massacre de domingo, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, disse o seguinte: “Nós vamos fazer um chamamento a todos os democratas. (...) Não temos restrição, se as pessoas tiverem noção do que está em jogo no Brasil e defenderem a democracia têm que estar nessa caminhada.”












Não podemos falhar neste momento decisivo!



Quem a ouvisse acreditaria que falava a uma plateia de militantes. “Têm que estar”, por que, cara pálida? A causa democrática não precisa do toque de clarim do PT, é justo o contrário.


 


A ideia segundo a qual o programa do PT precisa apenas de ajustes é suicida. Quem propõe uma frente democrática não fala essa língua, até porque felizmente os comissários já jogaram no mar a proposta de uma Constituinte.


 


A maior frente já construída na política brasileira foi a das Diretas-Já, de 1984. Nela entrou até Tancredo Neves que, com fina percepção, a considerava necessária, porém lírica.


 


Na sua fala ao Jornal Nacional, Jair Bolsonaro desautorizou a sugestão de Constituinte de sábios e a referência ao autogolpe de seu vice Hamilton Mourão.  Fica combinado assim. Faltou esclarecer o significado de uma frase na sua saudação de domingo: “Vamos botar um ponto final em todos os ativismos do Brasil”.


 


Sem ativistas não há democracia. Não existiriam o PT, nem o PRTB de Levy Fidelix com seu aerotrem. 


 


Bolsonaro também precisa de um filtro moderador, mas talvez a banda golpista de seu eleitorado nem o queira. (por Elio Gaspari)




 




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