NOÇÕES DE POLITICA - Humberto Pinho da Silva


É MUITO TRISTE SER IDOSO…

personNOÇÕES DE POLITICA - Humberto Pinho da Silva date_range21 Nov 2017 - 06h06

Quando vivi em Bragança, frequentava cafetaria, que ficava na Praça da Sé, mesmo no centro da cidade.



Após o jantar, vinha tomar cafezinho, e permanecia até às vinte e três horas, a ver televisão, ou a conversar com habituais fregueses do estabelecimento.



Por vezes ficava a cavaquear com o Primeiro-Sargento Mário – homem natural de Vinhais, – que primava pela bondade e vivia em modesta pensão.



Nessas amenas conversas, em que quase todos os temas eram abordados, muitas vezes ouvia-o dizer: “ Ninguém devia ganhar menos que a mensalidade de pensão de terceira.”



E eu logo acrescentava, conhecendo as miseráveis pensões, que se recebia: - “Que nenhum reformado devia auferir menos, que a mensalidade de lar modesto.”



Lembrei-me dessas agradáveis conversas, ao ouvir amiga minha, senhora idosa, que ficando viúva, resolveu recolher-se a lar.



Como estes, para além da mensalidade, exigem “joia”, a senhora vendeu o apartamento, onde vivia, para pagar a entrada.



Decorrido escassos meses, verificou que fora enganada: o tratamento prestado era inferior ao prometido, e a delicadeza do pessoal, não era recomendável.



Aflita, depois de muito matutar, resolveu abandonar a casa de repouso; e com a magra pensão, que deixara o marido, alugou casa.



É o drama da maioria dos idosos que vivem em Portugal, já que as reformas que usufruem, mal paga a estadia de lar modestíssimo.



O drama agudizou-se, nos últimos anos, ao se saber que reformados, de países europeus, com melhores aposentações, procuram passar o fim de vida em Portugal, onde podem levar vida quase principesca, em lares de luxo.



Estando a conversar num clube portuense, sobre a triste situação de alguns idosos, num grupo de amigos, levantou-se uma voz, para dizer que a Igreja poderia ajudar, ganhando. Como?



-” Bem fácil. - Continuou. - Há conventos que se encontram quase vazios. Se os transformassem em lares, recebendo parte das reformas dos utentes, ganhariam por certo, e estavam a ser úteis à sociedade.”



A ideia foi aplaudida, tanto mais, que acrescentou:



-” Cabe ao Estado, a obrigação, de cobrir a mensalidade daqueles cujas pensões sejam diminutas. Ser português e ter vivido em Portugal, devia servir para alguma coisa! …”



Claro que referia-se a residências, onde o idoso não se sentisse prisioneiro: obrigado a dormir com desconhecidos, e onde se passa o dia, diante de aparelho de TV, com manta nas pernas, e as noites, tomando sedativos


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