LENHA NA FOGUEIRA (ZEKATRACA)


História do Carnaval em Porto Velho:desfiles das escolas de samba

personLENHA NA FOGUEIRA (ZEKATRACA) date_range28 Set 2018 - 07h55

Apesar dos blocos dos clubes sociais dominarem os desfiles carnavalescos, nas décadas de quarenta, cinquenta e parte da década de..







Divulgação




Apesar dos blocos dos clubes sociais dominarem os desfiles carnavalescos, nas décadas de quarenta, cinquenta e parte da década de sessenta, Porto Velho conta com desfile de escola de samba desde o carnaval de 1946. Segundo conta o Severino Alexandre da Silva “A escola de samba Deixa Falar, do Bola Sete, desfilou pela primeira vez no carnaval de 1946”.



No início da década de cinquenta surge a escola de samba “O Triângulo Não Morreu” e em novembro de 1958, surge a escola de samba “Prova de Fogo” que no carnaval de 1960, passou a ser chamada de “Universidade dos Diplomatas do Samba” e hoje, é apenas “Os Diplomatas”. Os desfiles ainda eram na Presidente Dutra.



CURIOSIDADES



Um fato interessante foi que, com a criação da “Diplomatas”, as duas escolas, “Triângulo” e “Deixa Falar”, deixaram de desfilar porque seus brincantes foram todos para a nova escola de samba. Isso fez com que a Diplomatas fosse à única escola de samba a se apresentar no carnaval de Porto Velho entre os anos de 1960 a 1964 quando surge a escola de samba “Os Pobres do Caiari”.



A escola Pobres do Caiari surgiu exatamente, durante o desfile do carnaval de 1964 na avenida Presidente Dutra, como bloco de sujo, daí o nome “Os Pobres do Caiari”.



A Diplomatas do Samba dominou o carnaval de escola de samba durante dez anos. De 1959 a 1969 isso quer dizer, que ela foi à rainha da Presidente Dutra.



Deixa Falar a 1ª Escola de Samba



Eliezer Santos popularmente conhecido como Bola Sete, chegou a Porto Velho como Soldado da Borracha, justamente no mês de setembro de 1943, ano e mês em que o presidente Getúlio Vargas assinou o Decreto de criação do Território Federal do Guaporé.



Como Soldado da Borracha, Eliezer deveria, ao desembarcar no porto de Porto Velho, seguir para algum seringal, porém, por se destacar entre seus companheiros, pois sabia ler e escrever, foi contratado para trabalhar no Hospital São José pelo governo territorial.



Ainda bem que ele não foi para os seringais, pois se isso acontecesse o folião porto-velhense só assistiria ao desfile de uma escola de samba, a partir de 1950 quando surge a escola “O Triangulo Não Morreu”.



Bola Sete “malandro” dos bons, acostumado em sua terra natal a frequentar as rodas de samba e desfilar durante o carnaval nessas agremiações, ao conhecer a “malandragem” de Porto Velho que frequentava principalmente o Mocambo e a Vila Confusão, resolveu juntamente com outros boêmios e foliões, criar uma escola de samba. Foi do pensamento a realização do desejo em poucos dias e então, criou a primeira escola de samba do então Território Federal do Guaporé a “DEIXA FALAR”.



Há alguns anos entrevistei o Porteiro, Severino Alexandre da Silva e ele contou o seguinte: “Eu estava servindo na terceira Cia de Fronteira em 1946. Era eu, Antônio Leiteiro e outros que trabalhávamos no rancho, cortamos sacos de sarrapilha no fundo e do lado e fizemos as fantasias. Nascia ali a escola de samba “Deixa Falar”. O comandante ficou olhando. Tinha também o Alípio irmão do Bainha, o Preguinho apelido do Walter Bartolo, Jaime, Antônio Campo que era irmão do Cabeleira e o Inácio Campo pai; O Bola Sete era um dos baluartes e ainda tinha o Antônio Coxó e Eu com a Cobra”.,, (continua na próxima quinta-feira).



Sobre o autor

LENHA NA FOGUEIRA (ZEKATRACA)

Colaborador do Que Notícias, ZEKATRACA é titular da coluna Lenha na Fogueira no jornal Diário da Amazônia. E-mail: zekatracasantos@gmail.com