A VISÃO DEMOCRÁTICA (POR Celso Lungaretti )


O ARRANCA-RABO ELEITORAL TEM DEDO NO OLHO, CHUTE NA VIRILHA E TENDENCIOSIDADE DESEMBESTADA

personA VISÃO DEMOCRÁTICA (POR Celso Lungaretti ) date_range02 Out 2018 - 10h43

Sempre combati a censura, por princípio, em primeiro lugar; e também por haver sido uma de suas vítimas menores.


 


É que a ditadura militar, afora os quatro processos que me moveu por subversão, também me fez perder tardes inteiras com um quinto, totalmente descabido, relativo à minha atuação jornalística (a acusação não tinha nem pé, nem cabeça, mas a lengalenga se arrastou por um tempão e só no julgamento o Ministério Público finalmente reconheceu o óbvio, recomendando minha absolvição). 


 


Então, tenho autoridade moral de sobra para dizer que a pendenga Folha de S. Paulo x STF não passa de uma Batalha de Itararé, aquela que não houve.


 


O ex-presidente Lula teve sua candidatura impugnada pela Justiça Eleitoral porque a corte entendeu que sua condenação na Justiça Comum o privara dos direitos políticos, de acordo com aLei da Ficha Limpa.


 


Ora, se não pode ser candidato, evidentemente não pode também influenciar em grande estilo o resultado do pleito.


 


Nem de longe ele está sendo censurado, pois recebe visitas aos montes e esses visitantes dão a público tudo que ele que divulgar. Afora as cartas escritas dentro da prisão e amplamente divulgadas fora dela.


 


Se, além dessa situação tão especial, nem de longe proporcionada a outros presos, autorizar-se a realização de uma entrevista alguns dias antes do 1º turno, com direito à entrada na prisão da entrevistadora e "respectiva equipe técnica, acompanhada dos equipamentos necessários à captação de áudio, vídeo e fotojornalismo", o que se criará é, obviamente, um fato eleitoral. 


 


Publicada na véspera ou no dia do pleito, com o previsível estardalhaço, inevitavelmente influenciará decisões de votos. E dará a um cidadão que a Justiça Eleitoral considerou não estar no gozo de seus direitos políticos peso decisivo numa eleição presidencial! 


 


Como todos sabemos que Lula nada terá a dizer que já não tenha dito zilhões de vezes e seus pombos-correios não cansam de repassar para os brasileiros, o que se quer é apenas criar umshowmício às vésperas da eleição. 


 


Folha clama por liberdade de expressão, mas o que realmente almeja é a liberdade de espetacularização da política, o que tem mais a ver com business jornalístico do que com quaisquer convicções ideológicas.


 


Sendo o Jair Bolsonaro um presidenciável totalmente inaceitável para os civilizados, eu até vejo com simpatia algo que sirva para evitar uma invasão bárbara. Mas, não de forma tão oportunista.


 


De quebra, concordo em gênero, número e grau com a acusação de que a impugnação de 3,6 milhões de eleitores por não terem cadastro biométrico é uma aberração e, mais do que qualquer urna eletrônica, coloca a eleição sob suspeição.


 


E afirmo que salta aos olhos e clama aos céus que o juiz Sérgio Moro decidiu quebrar neste instante o sigilo de trechos da delação do ex-ministro Antonio Palocci para causar consequências eleitorais.


 


Esta eleição está sendo educativa: põe a nu, elevadas à máxima potência, as mazelas da democracia burguesa.


 


É uma lástima que, pelos terríveis males que a eleição de um fascista destrambelhado tenderia a causar, eu não possa, desta vez, recomendar a meus leitores o voto nulo. Sinto-me lesado.


(o texto é definitivo; já a edição será finalizada mais tarde)


 




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