A politica como ela é (por : TEREZA CRUVINEL)


O inferno de Alckmin

personA politica como ela é (por : TEREZA CRUVINEL) date_range22 Jun 2018 - 08h34

A Polícia Federal só pode ter pensado no presidenciável Geraldo Alckmin quando batizou de “pedra no caminho” a operação que prendeu o ex-secretário de transportes do ex-governador paulista, Laurence Lourenço, acusado de ter superfaturado em até R$ 600 milhões as obras do Rodoanel. Em relação ao tema corrupção, Alckmin não tem só essa, mas várias pedras no caminho, que serão desenterradas por adversários quando o horário eleitoral começar: Paulo Preto/Dersa, Siemens, Alstom e doações eleitorais não declaradas da Odebrecht e da CCR fazem parte do pedregulho do tucanato paulista em seu longo reinado.



Impávido, ele declarou que a prisão de Laurence não terá nenhum efeito sobre sua campanha. É o que precisa dizer, mas sabe o tamanho da pancada, num momento já muito adverso para sua candidatura claudicante nas pesquisas nacionais.



Agora, pesquisa feita só em São Paulo por Paraná Pesquisas/JB mostrou que Bolsonaro lidera no estado que Alckmin governou por mais de 12 anos, superando inclusive o ex-presidente Lula, situação que deixa o tucano em terceiro lugar. E quando Lula é excluído nada muda pois, neste caso, os branco-nulos-nenhum  é que lideram, seguidos de Bolsonaro. E quem ganha com isso é o chamado “Bolsodória”.



Alckmin tratou de declarar esta semana que João Dória é o seu candidato a governador, embora não tenha ouvido dele a mesma declaração. Ao fazer isso, rifou seu ex-vice, o governador Marcio França, do PSB,  que segundo a mesma pesquisa não passa de 8%,  contra 33,5% de Dória e 22,3% do emedebista Paulo Skaf. Ontem, Dória conquistou o apoio do PP, que também abandonou França, e agora terá o maior tempo de televisão. Tudo aponta para a cristianização de Alckmin e para uma aliança branca entre Dória e Bolsonaro. E a prisão de Lourenço ajuda.



Mas ontem Alckmin lavrou um tento. Teve uma boa conversa com o presidente do DEM, ACM Neto, e horas depois, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que na véspera jantou com Ciro Gomes acompanhado dos líderes do Centrão, declarou que a tendência do partido é mesmo apoiar Alckmin. O movimento foi estranho, muito abrupto. Talvez o jantar com Ciro tenha sido indigesto.  O DEM deve prezar muito a afinidade ideológica para desistir da candidatura própria e de Ciro em favor do tucano tão baleado. Isso, não se deve esperar do Centrão.



Ciro beija a cruz



O jantar teve consequências também para Ciro Gomes. Certamente preocupado em agradar o DEM e o Centrão (e em abrandar temores do mercado e dos banqueiros que andam clamando por apoio a Alckmin), ele declarou ontem, em entrevista à revista Americas Quartely, divulgada pelo portal Brasil247:   “O Brasil não precisa de um governo de esquerda.  Meu projeto é de centro-esquerda. O Brasil precisa de um projeto que reúna os interesses práticos dos que produzem e os interesses práticos dos que trabalham”.



O líder do PT, deputado Paulo Pimenta, tripudiou sobre seu aceno aos conservadores: “Brizola deve estar se revirando no túmulo”. Ciro ainda externou total apoio à Lava Jato e fez críticas ao ex-presidente Lula. “Bater no Lula quando ele não pode se defender revela um problema de caráter”, fustigou ainda Pimenta



Afunilando



Após Alckmin declarar que João Dória é seu candidato, o governador Márcio França não tem mais razão para defender o apoio do PSB ao presidenciável tucano. E com isso, pelo menos para o PSB o campo de escolhas vai se afunilando. Agora a decisão será entre aliança com o PT ou com Ciro Gomes, ou não apoiar ninguém e liberar os diretórios estaduais. A Executiva, segundo o líder Júlio Delgado, fará sua indicação no final do mês mas o Diretório Nacional só se reunirá em julho.



Hipocrisia



Donald Trump tirou os EUA do Conselho de Direitos Humanos da ONU alegando hipocrisia do organismo. Grande hipocrisia há em seu recuo em manter crianças (inclusive as 49 brasileiras!) separadas dos pais, imigrantes ilegais. A mudança não revoga a lei pela qual ficarão presos e respondendo a processo criminal.


Sobre o autor

A politica como ela é (por : TEREZA CRUVINEL)

Tereza Cruvinel atua no jornalismo político desde 1980, com passagem por diferentes veículos. Entre 1986 e 2007, assinou a coluna “Panorama Político”, no Jornal O Globo, e foi comentarista da Globonews. Implantou a Empresa Brasil de Comunicação - EBC - e seu principal canal público, a TV Brasil, presidindo-a no período de 2007 a 2011. Encerrou o mandato e retornou ao colunismo político no Correio Braziliense (2012-2014). Atualmente, é comentarista da RedeTV e agora colunista associada ao Brasil 247; E colaboradora do site www.quenoticias.com.br