RESENHA POLITICA (ROBSON OLIVEIRA)


O rompimento entre a família Raupp e Williams Pimentel

personRESENHA POLITICA (ROBSON OLIVEIRA) date_range07 Ago 2018 - 15h37

O rompimento entre a família Raupp e Williams Pimentel



SELVAGERIA – As cenas de selvageria que foram protagonizadas na convenção do MDB ecoaram muitos mais do que a dissimulada pacificação que culminou com a indicação das candidaturas a governador e duas ao Senado Federal. Presente ao pugilato partidário, este cabeça chata reviveu cenas de violência no velho MDB, vistas somente na década de oitenta quando o partido escolheu para disputar a prefeitura da capital Jerônimo Santana e Tomás Correia, preterindo a pré-candidatura a vice-prefeito da então vereadora Raquel Cândido, o que desencadeou trocas de socos e pontapés, no prédio da antiga Câmara Municipal de Porto Velho.



VIOLÊNCIA - No último sábado, partidários da candidatura de Confúcio Moura partiram para pancadaria quando perceberam que os convencionais do MDB teriam que escolher entre duas chapas com apenas um nome ao senado: uma liderada pelo senador Valdir Raupp e a outra pelo ex-governador Confúcio Moura. Pressentindo que não teriam votos suficientes para impor a candidatura de Confúcio Moura, um grupo liderado por um lutador de boxe invadiu o local na convenção destinado aos convencionais e distribuiu socos e pontapés para todos os lados, causando uma confusão dos diabos. Os ânimos estavam tão exaltados que o pacato Tomás Correia terminou dando um tapa no rosto de Emerson Castro, principal chefe da tropa de choque do ex-governador na convenção, embora depois os dois terem aparecido juntos em público alegando que a bolacha teria sido acidental.



VALE TUDO – A confusão patrocinada pelos partidários de Confúcio Moura foi o divisor de águas da convenção emedebista. Sem o vale tudo que provocou todo o rebu das bofetadas, Confúcio Moura não seria candidato a senador. Desde a noite anterior (sexta-feira) à convenção, os nervos do ex-governador estavam à flor da pele e sua motivação era de beligerância, visto que se dirigiu até o hotel Rondon, onde o senador jantava com convencionais, e com dedo em riste fez várias ameaças a Raupp caso o senador impedisse que seu nome fosse homologado para uma vaga ao Senado Federal. Quem assistiu à cena testemunhou um Confúcio totalmente diferente daquele velhinho que em público ostenta uma imagem de monge tibetano. O vale tudo da convenção do MDB foi a tábua de salvação da candidatura a senador do ex-governador.



ROMPIMENTO – Não passou despercebido entre os emedebistas o rompimento entre a família Raupp e o ex-secretário de saúde estadual Williams Pimentel. Durante mais de vinte anos Pimentel era unha e carne com a família Raupp, ao ponto do serem vistos em festas familiares. A maioria dos cargos assumidos por Pimentel foi indicação da deputada federal Marinha Raupp e do senador Valdir Raupp, mas na convenção do MDB o ex-aliado era um dos convencionais mais hostis ao casal. Antes da pancadaria generalizada coube a Williams Pimentel os primeiros arroubos histéricos que culminaram por aumentar o clima de animosidade entre os grupos partidários. Pimentel tem assumido uma postura pré-eleitoral como se a sua eventual eleição fosse favas contadas.



CAPITULOU – Com as duas candidaturas ao senado homologadas pelo MDB, após a capitulação de Raupp, dificilmente o partido tenha musculatura para eleger os dois. Aliás, é fácil deduzir que os resquícios do vale tudo da convenção afetaram substancialmente o palanque emedebista, o que poderá causar estragos nas campanhas de ambos. Ademais, o número enorme de candidatos às vagas ao Senado e os nomes lançados, fora do espectro do MDB, podem surpreendê-los caso não pacifiquem o palanque. E uma pacificação a esta altura do vale tudo é pura lorota!



PAZ – Um dia após a convenção do pugilato, o PDT de Acir Gurgacz, PSB de Mauro Nazif e o PP de Ivo Cassol realizaram uma convenção conjunta sem maiores sobressaltos e confirmaram a candidatura a governador de Acir. Para cutucar os adversários do MDB, divulgaram em seus releases que foi a convenção da paz. Uma paz que pode ainda virar confusão durante a campanha, haja vista não ser segredo para ninguém que os senadores Acir Gurgacz (PDT) e Ivo Cassol (PP) não se bicam, embora evitem polemizar a relação para não causar prejuízos à coligação. Já há quem diga que jacaré e cobra são uma simbiose no pule de dez para barulho grande.  Ainda assim os pedetistas fizeram uma festa civilizada e bem animada.



CANDIDATURAS – Três candidaturas a governador já foram homologadas: Acir Gurcacz (PDT), Mauro de Carvalho (MDB) e Pedro Nazareno (PSTU). A coligação PSDB/DEM/PSD deve homologar no próximo domingo, na FIMCA, às nove horas, a candidatura de Expedito Junior, e a REDE, do professor universitário, Vinicius Miguel. Restarão as confirmações dos candidatos do PSL – mesmo uma legenda nanica está com problemas internos – com o nome do milionário Zé Jordan e o PT que tem como pré-candidato o jornalista Dom Benito.



LISTA – Há um equívoco monumental achar que todos os nomes listados numa relação no Tribunal de Contas do Estado – ou mesmo no TCU – estão automaticamente fora das eleições. Irregularidade insanável do que trata a lei da ficha limpa para ser configurada é necessário o ato doloso de improbidade administrativa. Não é qualquer condenação que implica em inelegibilidade. É preciso que a irregularidade sindicada naquelas contas seja insanável. A lista relaciona toda condenação, cabendo ao Tribunal Regional Eleitoral, no julgamento do registro, avaliar quais condutas são submetidas ao artigo 1º, línea “g”, da lei da ficha limpa. Portanto, muitos nomes ali relacionados vão registrar candidatura.  



MONARQUISTA – Acontece nesta quarta-feira, às 14 horas, nas dependências do Hotel Golden Plaza, o Encontro Monárquico do Estado de Rondônia. Um grupo monarquista de Rondônia, responsável pelo nobre evento, vai recepcionar o príncipe Dom Antônio de Orleans e Bragança e a princesa Christina de Ligne. Os convidados participarão de um ciclo de palestras com a Procuradora de Justiça Lia Torres, com Peterson Freitas Inácio, líder da OIB/RO, e com Ezequiel Novais, Chanceler do Círculo Monárquico de Montes Claro. Na programação consta também um banquete oferecido pela realeza para um grupo seleto de entusiastas da Casa de Bragança. Embora convidado, este plebeu declinou do convite por razões históricas.


Sobre o autor

RESENHA POLITICA (ROBSON OLIVEIRA)

Jornalista, Advogado e colaborador do www.quenoticias.com.br - contato: robsonoliveirapvh@hotmail.com