VISÃO PERIFÉRICA


Para Marcos Rocha e equipe a sorte foi lançada: agora é do discurso à prática

personVISÃO PERIFÉRICA date_range28 Dez 2018 - 09h23

Para Marcos Rocha e equipe a sorte foi lançada: agora é do discurso à prática



O militar enrolou bastante, mas finalmente escalou seu time. Agora a população precisa exercer seu papel e fiscalizar o novo chefe do Executivo



Porto Velho, RO – Durante a campanha ficou nítido que o governador eleito Coronel Marcos Rocha (PSL) é altamente avesso a críticas. Contra o Rondônia Dinâmica, por exemplo, moveu ação na Justiça Eleitoral visando censurar o site; o liberal não gostou do questionamento sobre sua postura em relação ao suposto caso em que teria recebido, num único dia, pelo menos quatro propostas indecentes de propina.



Diante de suas próprias declarações, restaram duas opções no horizonte: 01) ou mentiu para se vangloriar e assim colher dividendos políticos à base de conversa fiada ou; 02) deixou de agir para impedir a conduta criminosa do agente corruptor, o que, legalmente falando, poderia inclusive figurar como prevaricação – e o Judiciário concordou conosco, diga-se de passagem.



Daí surgiu a pérola no último debate com Expedito Júnior (PSDB): “Eu estava com o pé operado. [...] Às vezes acontece”, justificou.



Além disso, publicamos reportagem sobre o Plano de Governo plagiado do documento oficial apresentado pelo tucano Aécio Neves, que concorreu à Presidência da República em 2014.



Veiculamos, ainda, matérias e um editorial a respeito de possível fraude eleitoral praticada pelo PSL rondoniense nas chapas proporcionais, o que, de acordo com a Procuradoria Regional Eleitoral (PRE/RO) teria o condão, inclusive, de tirar os mandatos dos deputados Eyder Brasil, escolhido para ocupar assento na Assembleia Legislativa (ALE/RO), e Coronel Chrisóstomo, eleito a uma das cadeiras da Câmara Federal.



Falar sobre esses assuntos não destoa em absolutamente nada o discurso entoado por Rocha ainda enquanto candidato e também agora, na condição de novo chefe do Executivo.



Se o combate à corrupção será prioridade mesmo em sua administração não há como fugir à gênese do comportamento antirrepublicano e pouco ilibado que, através dos anos, deu vazão às mais altas práticas ilegais em todos os rincões deste país.



A ideia de estancar os gargalos da política não pode, jamais, ser desassociada às liberdades de expressão e de imprensa, ambas reconhecidas pela Constituição Federal de 88.



A crítica construtiva apresentada por jornalistas, quando embasada, alia-se aos olhos fiscalizadores da população que, como bem percebemos, deixou de absorver passivamente a desordem para assumir de verdade o papel de chefia sobre seus escolhidos.



Agora, com a maior parte de sua equipe anunciada, a nova tarefa – talvez a mais difícil – de Marcos Rocha é alinhar discursos à prática, retóricas de campanha à execução.



Particularmente, gostei de alguns nomes selecionados para compor o secretariado.



Fernando Máximo secretário de Saúde, por exemplo, me soou como grata surpresa; o professor Suamy Vivecananda, reconhecido especialmente por fundar o Projeto Terceirão no colégio João Bento da Costa, idem.



A advogada Érika Camargo Gerhardt, destacada como adjunta da Casa Civil, foi minha professora na faculdade e relembrava à turma, a cada aula, o significado do termo urbanidade. É pessoa ímpar de trato fácil, competente e extremamente profissional, portanto, a meu ver, outra escolha sábia patrocinada por Rocha.



Alheio a isso, quero registrar também os meus parabéns ao jornalista Lenilson Guedes, que terá a difícil tarefa de comandar a comunicação institucional do governo.



Por fim, já que nem tudo são flores, creio que a nomeação de Luana Rocha – esposa do governador eleito – à pasta da Ação Social tenha sido um equívoco. E não tem nada a ver com os seus predicados ou ausência deles, esclareço.



No fim do pronunciamento oficial onde escalou seu secretariado, Marcos Rocha deixou claro que, quem estiver envolvido em falcatruas, será execrado da gestão.



Tenho para mim que ao associar a vida afetiva à regência da Administração Pública, o militar hesitaria, sim, se precisasse desligar a própria esposa de um dos ramos do Palácio Rio Madeira.



E sim, é uma suposição, mas, embora seja apenas possibilidade, crível ou não, ela aparece à apreciação justamente por conta do vínculo familiar que, por sua vez, se estende agora às ramificações do poder público.



Em suma, se esse panorama se desenhasse na realidade, além de um problema de ordem administrativa, Marcos Rocha teria de lidar também com gravíssima celeuma doméstica.



No mais, desejo boa sorte ao capitão e seus marujos.



Bandeira branca, hein? Paz!


Sobre o autor

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POR: VINICIUS CANOVA