O ESPECTADOR - POR VINICIUS CANOVA


STJ consigna futuro de Confúcio Moura; Jesualdo Pires não é burro – e Lewandowski: o juiz que perdeu o juízo

personO ESPECTADOR - POR VINICIUS CANOVA date_range11 Ago 2018 - 10h06

Consignado



De acordo com matéria publicada peloRondônia Dinâmica, o futuro do ex-governador Confúcio Moura (MDB), candidato ao Senado pela legenda, foi consignado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).



ENTENDA

Acusado pelo MPF de exigir metade do lucro em esquema ilegal na folha de consignados, Confúcio Moura será julgado em Rondônia



Em casa



Com isso, a ação penal onde é acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de dispensar licitação a fim de contratar, já no mês inaugural do seu primeiro mandato, a empresa de seu ex-secretário-adjunto de Saúde José Batista da Silva para proceder ao controle, processamento e averbação dos empréstimos consignados dos servidores públicos estaduais, será julgada por uma das varas criminais de Rondônia.



Cobrindo os rastros



O empreendimento em questão denominado Multimargem – Sistema Inovada de Margem Consignável Ltda, concebido por Batista e sua esposa à ocasião Maria Souza Lima, teria sido registrada, ainda de acordo com a acusação, em nome de Ângela Denise da Silva Alves e Suzi dos Santos Souza e Silva, “como forma de dissimular a condição de sócios da empresa”. Segundo essa versão, foi o próprio Confúcio que ordenou: a empresa a ser contratada pelo Estado deveria ser registrada em nome de terceiros, “para que não fosse identificada a relação de ambos com o negócio”.



Dá cá



A instituição federal disse à Justiça que a contratação direta promovida por Confúcio foi uma forma de retribuição pelos “trabalhos que José Batista vinha desempenhando na coordenação política da campanha”.



O papel do cunhado



Mas não acabou por aí. Depreende-se ainda dos mesmos autos que, em fevereiro de 2011, Confúcio teria exigido indiretamente por intermédio de Francisco de Assis Oliveira, seu cunhado, vantagem indevida a José Batista da Silva e Maria de Fátima Souza Lima. O então governador, prossegue a denúncia, solicitou metade do lucro que a empresa Multimargem auferisse na gestão dos empréstimos consignados da folha de pagamento estadual. Assim, Francisco de Assis, livre e consciente, atendendo às determinações do emedebista, procurou Maria de Fátima e exigiu a contrapartida.  



Esperneou



Na sequência, Batista teria confirmado com o ex-governador Confúcio a exigência indireta, oportunidade em que deixou claro, pessoalmente, a reivindicação impositiva sobre os “valores para saldar dívidas de sua campanha eleitoral”. Assim, entre os dias 21 de março de 2011 e 05 de setembro do mesmo ano, José Batista e Maria de Fátima entregaram a Francisco de Assis 11 cheques no valor total de R$ 897.163,87, montante equivalente à “metade do lucro da empresa exigida por Confúcio Moura”.



Jesualdo não é burro



O ex-prefeito de Ji-Paraná Jesualdo Pires, que também concorre ao Senado pelo PSB, não é burro. Ao deparar-se com o nome do município que administrou por dois mandatos na matéria intitulada “Instituto de premiação que deu medalha de melhor gestor a jumento já contemplou autoridades de 17 municípios de Rondônia”, Pires procurou a coluna e, indignado, meteu a boca no trombone. Convenhamos: pagar pra receber prêmio é mesmo coisa de jegue!



Aqui, ó!



“Nunca tive contato com esse povo. Uma vez me mandaram certificado, mas nunca paguei nada pra eles. Todo semestre eles mandavam proposta pra que eu pagasse R$ 10 mil, mas nunca fiz isso. Nunca usei dinheiro pra isso”. Segundo Jesualdo, a União Brasileira de Divulgação (UBD) se aproveitou dos índices de Ji-Paraná e usou seu nome para alavancar pesquisas. “Como sempre fui bem avaliado, se eles tirassem meu nome da lista provavelmente levantariam suspeita”, relatou.





Debate presidenciável



O primeiro debate entre os candidatos à Presidência da República demostrou que os postulantes não devem em nada a internos das casas de Orates Brasil afora.



No bolso



O ex-prefeito de Porto Velho Roberto Sobrinho, do PT, colocou num único dia oito processos movidos pelo MPF no bolso. A Justiça Federal extinguiu todos eles por falta de provas. O petista segue a sua saga tentando resgatar a dignidade que, de acordo com ele, foi tolhida por injustiças insanáveis.



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Tabu



Tornou-se tabu discutir qualquer tema relacionado ao Poder Judiciário. E é compreensível que isso ocorra em tempos obscuros de insegurança jurídica. Mas a frase do ministro Ricardo Lewandowski, ex-presidente do Supremo (STF), ultrapassou todos os limites do aceitável.  “Vocês repararam que ontem [quarta] os juízes de Curitiba devolveram R$ 1 bilhão de dinheiro desviado da Petrobras?”, questionou.



Lewandowski perdeu o juízo



Ele usou a frase para tentar justificar a proposta de aumento salarial dos ministros da Corte. O reajuste de 16,38% que os ministros querem aprovar no próprio salário para 2019 pode gerar uma fatura extra de até R$ 4 bilhões, a ser dividida entre os poderes da União e dos Estados. Lewandowski, postando-se como porta-voz de todos as células do Judiciário, sem a permissão de muitas delas, é claro, falou como se cumprir pura e simplesmente com o seu dever institucional fosse algo notável a ser recompensado. Perdeu completamente a noção das coisas, principalmente o senso do ridículo.



Contato



Estamos à disposição através do e-mail viniciuscanova89@gmail.com. Lembre-se: “O Espectador” é veiculada originalmente no Rondônia Dinâmica, mas a reprodução está autorizada desde que citada a fonte.



Autor / Fonte: Vinicius Canova


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