EM LINHAS GERAIS (GESSI TABORDA)


Só foi escalado para a disputa pela falta de nome de expressão

personEM LINHAS GERAIS (GESSI TABORDA) date_range15 Mai 2018 - 05h26

CRISE



Não é segredo para ninguém (sobretudo os mais próximos) que a histórica coluna de décadas de existência no jornalismo rondoniense, andou passando por uma crise séria, de exaurimento de seu criador e mantenedor, sentido logo após a confirmação de sua aposentadoria. Passado tantos anos a escrever e estudar o comportamento da política, especialmente a de Rondônia, não houve como escapar de um sentimento de descrença e cansaço, levando à perda de estímulo para continuar. Comecei a refletir pela inutilidade de manter a coluna já que praticamente nada mudou significativamente na política do estado desde que começamos em Linhas Gerais. Era como se deixassem de ter importância nos tempos atuais.



Então, antes de perder a fé nas palavras, de perder o respeito por elas, o criador e redator da coluna preferiu dar um tempo na sua jornada, praticamente acreditando que era inviável continuar.



REFLEXÃO



E foi assim que voamos para os Estados Unidos, que passamos dias e dias na Região dos Lagos, no Rio, procurando ponderar se teríamos outras maneiras de desopilar das costumeiras trapalhadas políticas gestadas nas fronteiras de Rondônia. Bem, os insistentes pedidos de retorno chegados a este jornalista motivam seu retorno hoje. Devo reafirmar que estamos repensando a coluna para esses próximos dias em virtude do ano eleitoral. E com uma certeza nova: a política, principalmente como é feito por aqui, não é a coisa mais importante do mundo. Com seus conhecidos personagens ela (a política) é uma grande tristeza para quem insiste em acreditar numa mudança de rumos, numa nova era de resgate da cidadania, da honestidade pública e dos valores herdados das verdadeiras famílias. E assim, aqui estamos com o propósito de seguir em frente.



ÓDIO



Sempre afirmo perante colegas que não costumo odiar ninguém. Mas é mentira, uma mentira vil. Eu odeio especialmente os políticos corruptos de Rondônia, e também as autoridades que fecham os olhos para os aéticos e corruptos bem sucedidos exatamente pelo clima de leniência. Afinal, como não sentir ódio para iniciativas propostas apenas com o objetivo de queimar recursos públicos, sem a menor justificativa. Não é esse o exato objetivo de Maurão de Carvalho em apoiar a criação de um canal de TV para a Assembléia? Ou você não desconfia que essa (Deus nos Livre!) TV não terá audiência mas será um enorme cabide de emprego e uma tremenda fábrica de fakes e publicidade para o culto à personalidade de alguns membros daquela Casa. Só as (qua!qua!qua!qua!) autoridades do controle externo não enxergam isso.



SEM CARISMA



Bem que a chamada imprensa domesticada tentou revestir o fato como algo extremamente importante no cenário politico do estado e não conseguiu. Falo do evento promovido pelo (P)MDB no domingo aqui na capital rondoniense  tentando alavancar os pré-candidatos Valdir Raupp, Confúcio Moura e Marão de Carvalho, esse último apontado como o nome para disputar o governo rondoniense.



Evento sem maiores repercussões no seio da comunidade. Em plena segunda o assunto não era comentando fora do circuito partidário. Não chamou a atenção do povão, exceto dos partidários arregimentados para lotar o local da festa.



E há uma explicação simples para tal fato: Maurão, ungido candidato ao governo, tem uma forte limitação de carisma e dai não decola, não deslancha.



É claro quem gravita em torno do presidente da Assembleia Legislativa, principalmente por receber alguma prebenda não concordará com essa afirmação. Isso não muda nada: Maurão de não tem capacidade de se conectar com o eleitor que vai decidir quem será o próximo governador.



CORRUPÇÃO



A situação do (p) MDB rondoniense não é animadora. Aqui também o eleitorado segue a tendência de fugir dos grandes partidos. E bom reconhecer que a citação dos caciques do partido (Valdir Raupp e Confúcio Moura) em casos de corrupção afeta inexoravelmente a imagem (P) MDB, adentrando cada vez mais um processo de degradação.



Maurão de Carvalho está numa posição vantajosa para a disputa por ser o dirigente máximo da Assembleia. E ele vem usando a máquina da instituição a seu favor, especialmente custeando uma caríssima campanha publicitária que, pelo menos a grosso modo, desrespeita e legislação no quesito impessoalidade. É pura promoção eleitoral.



TEM MAIS



Embora tenha vários mandatos eletivos no currículo (por sua ascendência em grotões do Estado) o deputado não tem carisma algum em regiões de alta densidade eleitoral e de grande importância econômica. Possivelmente o partido do cacique Raupp esteja apostando que ele consiga melhorar essa imagem de "ignorantão" do mundo político. A chance de dar certo é muita pequena.



Antes de entrar no (P) MDB o deputado Maurão gravitava em torno de Ivo Cassol. Mas não chegava a ser um satélite. E foi por isso que não conseguiu a tão sonhada candidatura de governador ou senador. Cassol sabia da maneira ambígua de Maurão fazer política no âmbito do legislativo, onde sempre cultivou posições voláteis.



E o Maurão de agora não mudou nada. Não tem discurso para unificar o partido de Raupp em torno de sua candidatura. Não tem projeto ou programa para mobilizar a população.



GESTÃO RUIM



Há várias denúncias de irresponsabilidades na Assembleia Legislativa na gestão de seu presidente, especialmente na administração de pessoal com um inchaço injustificável da folha. Há também uma enorme desconfiança com os gastos de publicidade (verdadeiro desperdício de dinheiro público) e até decisões favoráveis às mordomias de parlamentares com viagens desnecessárias, alto custo de diárias, etc, etc.



Tudo isso alimenta a imagem de que a gestão do presidente da Assembleia é ruim ou péssima para a maioria da população. Os deputados buscam mascarar essa percepção pública com a propaganda de que "investem" no Estado com as propostas de emendas orçamentárias, como se esse dinheiro não saísse exatamente o bolso do contribuinte.



FALCATRUAS



O deputado anunciado como pré-candidato ao governo pelo (P)MDB ainda tem na sua longa ficha de parlamentar casos que precisam ser convenientemente esclarecidos. Os "bons amigos" de Maurão nas legislaturas anteriores incorreram em falcatruas pesadas. Alguns desses seus "melhores amigos" ainda estão presos ou foragidos. O nome de Maurão apareceu com destaque nas investigações que apuraram as irregularidades tanto nos tempos em que a presidência foi exercida por Natanael Silva e pelo deputado Irmão Valter.



É claro que as acusações do passado não serão minimizadas nessa disputa eleitoral. O entusiasmo anunciado pela mídia amestrada como resultado da festa de domingo para a confirmação da pré-candidatura de Maurão pode terminar em pouco.



NÃO COMEÇOU



Na verdade a decisão do MDB rondoniense com o evento não significa muita coisa. Isso pelo fato do jogo ainda não ter começado. Aquele evento não passou de um pequeno aquecimento. No momento não uma militância acesa. É claro que entre vários pretendentes o nome de Maurão é mais conhecido. Afinal, como presidente da Assembleia ele atrai os holofotes. Mas até agora ninguém uma militância disposta a defender candidatos do (P) MDB com unhas e dentes. Maurão não é o tipo do político convocado para os grandes embates. Ele – como se viu de novo – acaba sendo aquela que se oferece. E dessa vez deu sorte: O MDB rondoniense não tinha nenhum outro nome para entrar em campo.


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