Judiciário

Augusto Aras foi o único candidato à PGR a assinar carta de compromisso com juristas evangélicos

Entre as principais bandeiras da entidade está o que aliados do bolsonarismo definem como "ideologia de gênero". Na carta, o termo é citado para proibir o registro de nomes de acordo com a identidade da pessoa


bookmark_borderBRASIL JURÍDICO date_range10 Set 2019 - 07h39 personREVISTA FÓRUM

Indicado pelo deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF), um dos líderes da bancada da bala, Augusto Aras, escolhido por Jair Bolsonaro para ser o novo Procurador-Geral da República, foi o único postulante ao cargo que assinou uma carta de compromisso com uma série de “valores cristãos” descritos pela Associação Nacional de Juristas Evangélicos (Anajure).



Pelas redes sociais, a associação comemorou a escolha de Aras para a PGR, ressaltando que ele foi o único a assinar o texto.





Segundo o documento, de dez páginas, registra visão da entidade – braço das igrejas protestantes no meio jurídico – sobre temas como liberdade religiosa, sexualidade, aborto, gênero, conceito de família, acolhimento de refugiados, ensino confessional, repressão à corrupção e separação dos Poderes, entre outros. Parte do texto sugere posições institucionais que, no entendimento da associação, deveriam ser adotadas pelo Ministério Público e pelo governo.



 



Entre as principais bandeiras da entidade está ao que os aliados do bolsonarismo definem como “ideologia de gênero”. Na carta, o termo é citado para proibir o registro de nomes de acordo com a identidade da pessoa. “Os registros públicos de qualquer ordem e as estruturas físicas dos órgãos e entidades públicas devem ser pautados pelo critério do gênero binário natural (masculino e feminino)”, diz o texto.



 


Conservadorismo

Demonstrando alinhamento ao conservadorismo, Aras convidou nesta segunda-feira (9) o chefe da Procuradoria da República em Goiás, Ailton Benedito, para participar de sua equipe.



Evangélico, Benedito é um dos principais articuladores de Bolsonaro dentro do Ministério Público Federal e defende publicamente as bandeiras do governo, além de atacar o site The Intercept e o jornalista Glenn Greenwald, responsáveis pela série de reportagens da Vaza Jato.