CIÊNCIA

BIS alerta que criptomoedas podem “rebentar” a internet

O BIS realça que as criptomoedas podem vir a sobrecarregar a Internet e a criar um "desastre" ambiental devido ao consumo de energia.


bookmark_borderCIÊNCIA E TECNOLOGIA date_range18 Jun 2018 - 08h11 personCátia Rocha

O Banco de Pagamentos Internacionais – ou BIS, na sigla em inglês – lançou um relatório intitulado “Criptomoedas: olhar para além do ‘hype’”, que em 24 páginas, detalha a visão que a instituição tem em relação ao mercado das criptomoedas.



Para o BIS, as criptomoedas têm “um conjunto de falhas” que, devido às suas características, as impedirão de cumprir com as expectativas que o mercado foi criando para este tipo de moedas virtuais. Aliás, segundo o BIS, é justamente esse tipo de expectativas que fez com que houvesse a escalada de interesse e investimento nas criptomoedas. Segundo a organização, a natureza descentralizada das criptomoedas – que muitas vezes é referida como uma vantagem – é visto pela instituição sedeada na Suíça como um ponto fraco.



Mas um dos pontos centrais incluído neste relatório passa mesmo pelo uso do software de blockchain, que está associado às criptomoedas. Para o BIS, o aumento da utilização das moedas virtuais para transações poderá sobrecarregar tudo, “desde smartphones até servidores”, indicando que o “volume associado de comunicações poderá levar a Internet a uma paragem”.



Além desta sobrecarga devido a um potencial aumento do processamento de informação, o BIS alerta também para o aumento do consumo de energia, associado à mineração de criptomoedas. Segundo a organização, “a demanda para a descentralização tem vindo rapidamente a tornar-se num desastre ambiental”.



O BIS refere que os investigadores chegaram à conclusão de que a eletricidade necessária para esta corrida para a mineração de criptomoedas estará a equiparar-se ao consumo energético da Suíça.



Este parecer do BIS surge num momento em que grandes nomes do mundo financeiro estão a apostar no mercado das criptomoedas. O Goldman Sachs, por exemplo, anunciou em abril deste ano que contratou Justin Schmidt para dirigir uma unidade dentro da empresa para o mercado ligado às criptomoedas.



Apesar de o BIS reconhecer alguma vantagem nas criptomoedas (nomeadamente a questão das transações mais facilitadas), o relatório refere que a descentralização e a facilidade de comunicação representa ao mesmo tempo um “ponto fraco” nesta equação. A instituição refere que “a confiança pode evaporar a qualquer momento devido à fragilidade de uma base descentralizada onde as transações são gravadas”. Para o BIS, esta fragilidade poderá até chegar a um ponto “onde as criptomoedas param de funcionar, o que resultaria numa perda completa do seu valor”.