Política

Bolsonaro abusa do poder e deve ser contido, diz Folha em editorial


bookmark_borderBRASIL POLITICA date_range30 Nov 2019 - 08h36 personCONGRESSO EM FOCO

Com o título Fantasia de imperador, a Folha de S. Paulo publicou um editorial neste sábado (30) em que afirma que o presidente Jair Bolsonaro (Sem partido) não entende os limites da Presidência da República. Segundo o jornal, o militar terá que ser contido, "como os limites que se dão a uma criança".



"Será preciso então que as regras do Estado democrático de Direito lhe sejam impingidas de fora para dentro, como os limites que se dão a uma criança. Porque ele não se contém, terá de ser contido —pelas instituições da República, pelo sistema de freios e contrapesos que, até agora, tem funcionado na jovem democracia brasileira", afirma o jornal.



 



Nos últimos dias, os ataques do presidente à Folha, que são comuns desde o período eleitoral, têm se intensificado. Nesta semana, Bolsonaro retirou o periódico de um edital de renovação de assinatura de jornais e revistas da administração federal e afirmou que não comprará produtos anunciados no jornal.



 











 


- A Folha pergunta e eu respondo: "não quero mais ler a Folha e ponto final."



- O povo faz coro: "nem eu, nem eu..."



"Qualquer anúncio que façam na Folha de SP, eu não compro aquele produto."











Vídeo incorporado


























 



No editorial, a Folha comenta o caso, dizendo que Bolsonaro desrespeitou a Constituição, ao "consignar em ato de ofício da Presidência a discriminação a um meio de comunicação" e ao "incitar um boicote" contra os anunciantes do jornal.



Em reportagem publicada no jornal, o diretor da faculdade de direito da Universidade de São Paulo, Floriano Peixoto de Azevedo Marques Neto, afirma que a exclusão do veículo de imprensa do edital sem justificativa plausível pode ser enquadrada como um crime de responsabilidade.



 



O periódico diz ainda que a caneta do presidente "não pode tudo" e cita a investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o senador Flávio Bolsonaro (Sem partido) e a indicação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para a embaixada do Brasil nos Estados Unidos como exemplo.



"Ela não impede que seus filhos sejam investigados", "não transforma o filho, arauto da ditadura, em embaixador nos Estados Unidos" e "não tem o dom de transmitir aos cidadãos os caprichos da sua vontade e de seus desejos primitivos", diz o jornal.



"Prestes a completar cem anos, este jornal tem de lidar, mais uma vez, com um presidente fantasiado de imperador. Encara a tarefa com um misto de lamento e otimismo", afirma a Folha.



Folha não é a única



Alvo preferencial, o jornal paulista não é o único veículo de imprensa que sofreu ataques do presidente Bolsonaro. Desde as eleições até hoje, o militar e parte dos seus apoiadores vêm demonstrando desapreço por parte da mídia.



Na posse presidencial, por exemplo, jornalistas sofreram uma série de restrições que atrapalharam o trabalho de cobertura do evento, ficando sem ir ao banheiro ou beber água por horas. Já no lançamento do partido que o presidente pretende criar, o Aliança pelo Brasil, profissionais da imprensa foram hostilizados por militantes do presidente, que chamaram os jornalistas de “lixo”, “esquerdistas” e “raça imunda”.



Os ataques do presidente e de parte dos seus apoiadores, no entanto, não são apenas para a mídia. Partidos políticos, ONGs, artistas, deputados, senadores e ministros do Supremo também já foram alvo do militar. Alguns deles, inclusive, comparados com hienas.







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