Religião

CNBB critica aborto de menina estuprada pelo tio: “Assassinato de um bebê”

Bispo dom Ricardo Hoepers publicou artigo com duras críticas à interrupção da gravidez na página da confederação


bookmark_borderRELIGIÃO E FÉ date_range17 Ago 2020 - 15h06 personMETRÓPOLES /FERNANDO CAIXETA

Opresidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, dom Ricardo Hoepers, publicou um artigo criticando a decisão judicial que autorizou a interrupção da gravidez de uma menina de 10 anos vítima de estupro em São Mateus (ES).



O bispo classifica o aborto legal como “assassintato de um bebê de mais de cinco meses” e “crime”. A informação sobre o tempo de gestação, no entanto, não foi confirmada oficialmente nem pela Justiça, nem pelo hospital onde o procedimento seria feito.



 



“Por que não foi permitido esse bebê viver? Que erro ele cometeu? Qual foi seu crime? Por que uma condenação tão rápida, sem um processo justo e fora da legalidade? Por que o desprezo a tantas outras possibilidades de possíveis soluções em prol da vida? Foram muitos os envolvidos, mas o silêncio e omissão dos órgãos institucionais que têm a prerrogativa de defender a vida se entregaram às manobras de quem defende a morte de inocentes. Por quê?”, questionou o religioso.



No texto, o bispo alega que “duas crianças poderiam viver” e relata laudo técnico em favor do feto e critica a mobilização em levar a criança para outro estado para a realização do aborto. Dom Ricardo também se mostrou contra o fato de a decisão ter sido tomada em nome da menina grávida.



“A violência do estupro e do abuso sexual é infame e horrenda, mas a violência do aborto provocado em um ser inocente e sem defesa é tão terrível quanto”, comparou.



Protesto em frente a hospital


Após passar mais de uma semana sob a guarda do Estado esperando uma decisão judicial e de ter tido um procedimento cancelado porque a equipe médica capixaba se negou a fazer a intervenção, a criança foi levada para Pernambuco, mas um grupo de manifestantes antiaborto cercou o hospital nesse domingo (16/8), na tentativa de impedir o procedimento.



Os manifestantes, a maioria religiosos ou membros de grupos de extrema-direita, alegam que a gestação da menina já passou das 20 semanas e que mesmo o aborto legal a essa altura seria proibido. O tempo de gestação da meninas, porém, não foi confirmado oficialmente.