Política

CPIs dominam ação no Congresso depois de vazamento de mensagens

PSL e oposição buscam assinaturas para investigar conversas de procuradores com Moro; clima no entanto é de cautela


bookmark_borderBRASIL POLÍTICA date_range12 Jun 2019 - 08h06 personPedro Moraes - Grupo Folha Pedro Moraes - Grupo Fo

Com casa cheia e sessão do Congresso Nacional agendada, deputados e senadores fizeram suas primeiras movimentações, na terça-feira (11), sobre o caso do vazamento das conversas de Sergio Moro e os procuradores do MPF (Ministério Público Federal), divulgadas em matéria no site The Intercept. Parlamentares governistas e de oposição começaram a levantar assinaturas para instalar CPIs (Comissão Parlamentar de Inquérito) – de um lado para apurar a parcialidade do ex-juiz e atual ministro da Justiça e Segurança Pública, e do outro para averiguar a interceptação e violação de sigilo dos celulares. Os dois grupos precisam levantar 171 assinaturas para protocolar os pedidos.



 



As lideranças ainda não se posicionaram sobre as propostas e o clima é de cautela. Segundo informações do jornal “O Globo”, o presidente da Câmara, o deputado Rodrigo Maia (DEM), recomendou aos líderes do Centrão que não embarcassem numa CPI liderada pela oposição. O que já é certo é que o ministro acertou sua ida à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, na próxima quarta-feira (19), para tratar do tema.



 



Os deputados Filipe Barros (PSL-PR) e Carlos Jordy (PSL-RJ) iniciaram o trabalho para coletar as assinaturas para a CPI sobre a quebra de sigilo dos celulares. “Como não há posicionamento das bancadas, o trabalho é individual, falando com cada deputado. A oposição vem buscando obstruir a pauta, pedindo a demissão do Moro. Outra frente que devemos atacar é juridicamente. Estamos estudando de que forma podemos agir”, explicou Barros à FOLHA. O partido do presidente, que ao longo do ano vem batendo a cabeça para afinar o discurso, tem nesta crise uma boa oportunidade de buscar a coesão. Barros defende que o movimento é natural. “O partido é jovem e cresceu muito nas últimas eleições. Somos formados por perfis muito diferentes. No entanto, defendo a formação de um núcleo duro para que possamos agir em questões importantes. E isso aconteceu agora, todos os deputados subscrevem o requerimento da CPI”, pontuou Barros.



A cautela pedida pelo presidente da Casa parece ter sido alcançada e a ida de Moro ao Senado na próxima semana teve efeito calmante para o Centrão. “Está tudo muito recente, é preciso aguardar os próximos acontecimentos. A sessão do Congresso hoje (terça-feira) trata de temas importantes. Há a movimentação das assinaturas, mas para mim não pediram para assinar nenhuma das duas e nem há orientação da liderança do partido”, afirmou o experiente Ricardo Barros (PP-PR).



 



Durante toda a manhã, o trabalho da oposição foi na tentativa de buscar o apoio dos partidos de centro. Além da CPI, o grupo já buscava construir a convocação do ministro para o Congresso. Uma reunião para tratar do tema recebeu parlamentares na sede do PSB. Segundo “O Globo”, o presidente do PSB, Carlos Siqueira, afirmou que a equipe dos procuradores está “comprometida e as decisões tomadas por eles são ilegítimas”.



 



CONTA PRÓPRIA



 



Para tentar minimizar seu desgaste, o próprio Sergio Moro se ofereceu para ir ao Senado. A avaliação é que a casa é um território menos hostil que a Câmara e que a comissão é um ambiente controlado. A decisão foi lida em plenário, pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), durante a sessão do Congresso Nacional e provocou reclamações. “Não é adequado que o ministro escolha, que o ministro decida e a gente não possa participar desta decisão”, disse o líder do PT na Câmara, deputado Paulo Pimenta (RS). Ao se oferecer para ir ao Senado, Moro se antecipou à aprovação de requerimentos para convocá-lo e tenta esfriar o clima para a criação de uma CPI para apurar possíveis irregularidades sobre seu comportamento como juiz da Lava Jato. (Colaborou Folhapress)




Filipe Barros (PSL) quer CPI para investigar quebra <br />
dos sigilos do telefone de Moro e procuradores

Filipe Barros (PSL) quer CPI para investigar quebra dos sigilos do telefone de Moro e procuradores | Pablo Valadares/Câmara dos Deputados