Economia

Com recuperação econômica, carne pressionará a inflação

Expectativa de repasse do atacado Gado ficou 33% mais caro no ano Varejo teve alta de apenas 2,55%


bookmark_borderBRASIL ECONOMIA date_range22 Out 2020 - 09h58 personPODER 360

As compras de supermercado têm pressionado o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), mas carne subiu pouco de janeiro a setembro: 2,55%. O IPCAvariou 1,34% e o grupo alimentação em domicílio, 9,17%.



Mas a recuperação da economia levará a alta de até 30% em 6 meses, disse ao Poder360, Maurício Reis Lima, presidente do Friesp (Frigorífico Esperança) e da Acifrigo (Associação Comercial de Indústrias Frigoríficas do Brasil), que reúne pequenos produtores. No atacado, a alta do valor carne foi de 33% de janeiro a setembro.



Ricardo Nissen, analista técnico da CNA (Confederação Nacional da Agricultura), disse que a recessão impediu o repasse dos preços ao consumidor. “Em uma situação como a que vivemos, a população facilmente troca a carne por frango ou ovo quando o preço sobe”, afirmou. Neste ano, houve substituição por cortes menos nobres, como fígado e costela, que tiveram alta nos preços. O filé-mignon e o contrafilé tiveram queda no preço.





 



Nissen afirmou que os brasileiros comem mais carne nos últimos meses do ano. Os mercados futuros estão em alta. O preço arroba (15 kg) para dezembro é 9,4% maior que o atual. Mas ele não tem projeção para o preço da carne no varejo.



No ano passado, houve elevação em novembro no preço do produto também pelas compras da China. Com a peste suína no país aumentou a demanda por carne bovina brasileira. Na época, a economia brasileira crescia, por isso houve repasse ao consumidor. A carne ficou 32,4% mais cara no varejo no acumulado do ano.



O Brasil é o maior exportador de carne bovina. Foi direcionada para outros países 30% da produção nacional. As vendas externas de carne subiram 13% em 2019 e 14% de janeiro a setembro deste ano. O ganho de mercado é progressivo, mas limitado sobretudo por questões fitossanitárias, o que exige o credenciamento de frigoríficos brasileiros pelas autoridades de outros países.



Não há, portanto, opção de direcionar toda a produção rapidamente para o exterior quando há limitação de demanda no mercado interno. É diferente situação do arroz, que teve alta de 177% de janeiro a setembro. E o preço subiu 41% no mercado interno.