Religião

DEUS CASTIGA QUEM NÃO PAGA PROMESSAS ?


bookmark_borderRELIGIÃO E FÉ date_range06 Nov 2017 - 03h40 personPAULO ROBERTO

Uma leitora do jornal ‘O São Paulo’, da Arquidiocese de São Paulo, enviou esta pergunta - título deste artigo - ao Pe. Cido Pereira. Eis um trecho da resposta: “Não é necessário fazer promessas, pois Deus sabe do que precisamos. Quem, porém, quiser fazer promessas, prometa a Deus uma vida de santidade, marcada pelo amor a Ele e ao próximo. E saiba agradecer os sinais de bondade que Deus vai fazendo você experimentar ao longo da vida.”



A leitora achou que a sua pergunta não fora respondida e insistiu: “Afinal, quem não cumpre promessas é castigado ou não?” Eis mais um trecho da resposta do Pe. Cido, na outra edição do jornal: “Se o amor de Deus por nós é tão grande, você acha que Ele iria, logo depois de uma bênção maravilhosa, nos dar um castigo, só porque não cumprimos o que prometemos? Até porque se Deus nos fez experimentar o seu amor, Ele o fez gratuitamente e não pelo que lhe prometemos.”



Correto! Eu também penso assim. A Paternidade Divina não se vinga dos filhos ingratos dessa forma, mas continua lhes dando oportunidades para a conversão. E se a conversão for definitiva na vida de um cristão, agradará muito mais ao Pai do que o cumprimento de promessas.



Isso não significa dizer que ninguém deva pagar as suas promessas, muito pelo contrário. Todos nós temos o dever de agradecer e louvar a Deus pelas graças recebidas, porém, algumas pessoas, em momentos de desespero, fazem promessas quase impossíveis de serem cumpridas. E daí, o que fazer depois?



Volto, em parte, à explicação do Pe. Cido: acredito que Deus concordaria que substituíssem as promessas difíceis por uma vida de santidade, marcada pelo amor a Ele e ao próximo. Assim, não precisariam mais se preocupar com novas promessas.



Como é bom ter certeza de que a Misericórdia Divina é infinita, não? Imagine se Deus agisse como nós! Dando um exemplo: um cidadão promete ao amigo ser avalista na compra de um imóvel muito cobiçado, mas na hora de fechar o negócio, o tal avalista não comparece no cartório e o seu “amigo” perde a grande oportunidade financeira da vida. Considerando que não houve motivo de força maior para a ausência do avalista no horário combinado, como seria o relacionamento entre ambos a partir dali? Dá para imaginar, não?



Pois bem, com Deus, sempre que ‘furamos’ os compromissos, somos perdoados e ganhamos novas oportunidades para nos reconciliarmos com Ele no seu amor. Isso só não dura para sempre, porque o nosso tempo neste mundo é limitado. Se Ele cumpre tudo o que nos promete e nós nunca lhe mostramos gratidão, o nosso tempo vai se esgotando e o dia do juízo final chegará.



Quando Jesus curou dez leprosos e só voltou um para agradecer (Lc 17, 11-19), Ele indagou: “Não ficaram curados todos os dez? Onde estão os outros nove? Não se achou senão este estrangeiro que voltasse para agradecer a Deus?” Isso mostra que Deus fica feliz com cada coração agradecido, embora não exija sacrifícios de ninguém.



Recitar e colocar em prática o salmo 39 pode perfeitamente substituir muitas promessas meio inconsequentes: “Eis que venho fazer, com prazer, a vossa vontade, Senhor!” Dá pra prometer e cumprir isso?



 



 



 



 



PAULO ROBERTO LABEGALINI Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas