Política

Empresário acusa Witzel de ter recebido propina quando ainda era juiz federal e já pensava em virar governador do Rio


bookmark_borderBRASIL POLITICA date_range15 Set 2020 - 08h43 personEXTRA

A candidatura de Wilson Witzel ao Palácio Guanabara teria contado com a ajuda financeira de um grupo de empresários suspeito de aparelhar o estado e desviar cerca de R$ 50 milhões em propinas, de acordo com um novo depoimento do empresário Edson Torres, apontado como operador financeiro do Pastor Everaldo, presidente nacional do PSC, partido do governador afastado. Ele compareceu de forma voluntária ao Ministério Público Federal (MPF) após a deflagração da Operação Tris in Idem — que, no último dia 28, culminou no afastamento do governador — e explicou como funcionaria o suposto esquema de corrupção. Nesta segunda-feira (14), Witzel foi denunciado pela segunda vez pela Procuradoria-Geral da República, agora por organização criminosa.



De acordo com o depoimento de Edson Torres, empresários do grupo entregaram R$ 980 mil em espécie a Witzel quando ele ainda era juiz federal e a Lucas Tristão, ex-secretário de Desenvolvimento Econômico, que está preso. Após o início da campanha eleitoral e até o fim do segundo turno, Torres e outro empresário teriam dado ao Pastor Everaldo R$ 1,8 milhão, de forma parcelada. Segundo a denúncia, o grupo que aportou recursos financeiros na campanha do então candidato do PSC teria “fatiado” secretarias e outros órgãos do estado “com o escopo de ter retorno econômico”.



O governador afastado negou a acusação. “Mais uma vez, trata-se de um vazamento de processo sigiloso para me atingir politicamente. Reafirmo minha idoneidade e desafio quem quer que seja a comprovar um centavo que não esteja declarado no meu Imposto de Renda, fruto do meu trabalho e compatível com a minha realidade financeira. Todo o meu patrimônio se resume à minha casa, no Grajaú, não tendo qualquer sinal exterior de riqueza que minimamente possa corroborar essa mentira”.



A defesa do Pastor Everaldo informou que não comentará trechos do processo, que corre em segredo de Justiça, mas ressaltou que não teve acesso à íntegra da investigação e da delação que embasaram sua prisão. O presidente nacional do PSC está preso desde o dia 28 de agosto.