Policial

FUTURO DO BRASIL VIROU CASO DE POLÍCIA

COMO A POLÍCIA FEDERAL IRÁ DECIDIR OS RUMOS DO PAÍS


bookmark_borderCASOS DE POLICIA date_range20 Mai 2020 - 09h11 personREDAÇÃO

Por Lúcio Lacerda



 



 



A catastrófica gestão da pandemia pelo presidente Jair Bolsonaro já apresenta seu saldo mortífero. Nas últimas 24 horas foram registrados quase 1.200 mortes por Covid 19 e em lugar de o Governo Federal discursar sobre esta pauta que interessa a todos os brasileiros, o Ministério da Saúde preferiu publicar nos sitios oficiais um banner  de ""comemoração" pelos mais de 100 mil curados de Covid 19, sem mencionar os mortos ou apresentar condolências às famílias enlutadas, enquanto que o Presidente da República fez piadinha em uma live dizendo que "quem for de direita toma cloroquina enquanto quem for de esquerda toma tubaína".



Essa maneira de se comportar e de interpretar os fatos sociais é absolutamente incompatível com a seriedade que impõe a administração de um Estado Nação, e, pelo teor dos editoriais dos jornais e das notas publicadas amiúde por outras autoridades,  tanto as demais funções de estado, quanto instiuições e sociedade civil estão estarrecidas com isso.



O impedimento do presidente é quase um consenso e a administração Bolsonaro é vista como uma aberração sob quaisquer aspectos que se avalie, seja técnico, estético ou moral. É um escândalo inclusive internacional.



Com mais de 30 pedidos de impeachment na mesa do Presidente da Câmara, e sabendo da possibilidade de qualquer um deles avançar, o presidente Jair Bolsonaro negociou grande fatia do orçamento com o chamado centrão, que detém cerca de 200 votos no parlamento, como forma de evitar a desonrosa saída pelo impedimento.



No mesmo passo, não sei se o leitor percebeu, em que começou a negociar com o centrão, o Presidente pressionou o então Ministro da Justiça, Sérigo Moro, pela troca do comando da Polícia Federal e superintendencias da PF, especialmente no Rio de Janeiro.



Mas o que tem a ver o centrão com a PF? 



Ainda que não se possa negar que o presidente tenha interesses sensíveis no Estado do Rio de Janeiro relacionados a seus familiares, também não se poderá desprezar que as principais lideranças do centrão estão aninhadas no Estado do Rio de Janeiro, de Roberto Jefferson a Marum e seu chefe, Eduardo Cunha.



Muitos dos caciques do centrão que ora negociam com o presidente sao condenados, investigados ou suspeitos em muitos processos criminais envolvendo desvio de dinheiro público, e teem certamente interesse ou necessidade de que certas investigações da PF em andamento sejam abafadas pelo pulso miliciano do Presidente. Não se enganem, o centrão, diante de tão emergente necessidade de blindagem presidencial, não deixaria de impor, além dos cargos, uma generosa anistia criminal e salvo conduto para atuar.



Anistia em relaçao às investigações em andamento que se pretendem ver interrompidas pelo presidente da caneta estourada, e salvo conduto para assumir os cargos e dilapidar o patrimonio público. Afinal, de que adianta controlar pasta e orçamento com a Polícia Federal na cola? 



Com a suposta interferencia do presidente na PF ,criou-se um clima de desconfiança tal dentro da instituição, que grandes movimentos verticalizados passaram a chamar muita atenção, como foi o caso da imediata troca do superintendente da PF do Rio, como primeiro ato do Novo Diretor geral da Policia Federal tão logo assumiu o cargo.



Acuado e sob investigação, o Presidente decidiu mover as peças ele próprio, horizontal, silenciosa e cirurgicamente, exonerando Delegados Federais lotados em cargos de chefia em Delegacias e Divisões Policiais, substituíndo-os por agentes de sua confiança.



A depender de a imprensa investigativa se aprofundar em cada caso, eu arriscaria dizer que onde há uma troca, há uma pessoa do centrão investigada, isto é o obvio, mas precisamos respeitar a presunção de inocência.



Tudo bem. A função deste texto não é provar nada, mas conjecturar o contexto de governabilidade do presidente Jair Bolsonaro.



Se for verdade que o centrão negocia cargos pelo controle do orçamento e não pelo bem da nação, então é certo que precisará de blindagem para bem realizar o assalto aos cofres públicos, e essa blindagem também interessa ao presidente que está pagando por governabildiade e reeleição. Não adianta impedir o impeachment e perder a governabilidade pela superveniência de um escândalo em seu governo vindo da sua base de proteção no centrão.



Então a conta presidencial é a seguinte: Eu blindo o centrão e com isso garanto seu apoio e participação discreta no governo sem grandes tempestades. Impeço o impeachment e governo feliz para todo o sempre.



 O presidente fará tudo o que puder, e um tanto ainda do que não puder, para tomar as rédeas da PF, tanto para proteger os amigos, quanto para perseguir os inimigos.



Só tem um problema. A Policia Federal é briosa e já se defendeu algumas vezes deste tipo de ingerência. A PF não vai aceitar essa humilhação.



Além disso, há fatores sobre os quais o presidente não tem o menor controle. Os inquéritos que tramitam sob a batuta do STF, e são pelo menos 03, são inavocáveis e os policiais responsáveis pelas respectivas investigações estão inamovíveis por determinação do Supremo, o que coloca este efetivo da PF, vamos dizer, intocável pelos tentáculos intervencionistas do presidente, ao menos até que essas investigações terminem.



Outro fator é que o MPF, que trabalha lado a lado com a PF, pode tanto desenvolver operações sem compartilhar informaçoes com a PF, quanto exercer o controle externo da atividade da PF, investigando eventual interferencia política em sua atuação, sendo estas também  variáveis incontroláveis pelo presidente.



Por fim, o elemento mais importante que o presidente não está levando em conta, é que a esmagadora maioria dos Delegados e Policiais Federais é honesta e não gosta de bandido.



Bolsonaro devia aprender com Lincoln que parafraseado ao contexto diria:



Pode-se enganar toda a PF parte do tempo



Pode-se enganar parte da PF todo o tempo



Mas não se pode enganar toda a PF todo o tempo.



É a PF ou o centrão. Só pode haver um. Se o centrão prevalece a PF é tutelada, se a PF é autonoma o centrão vai ser caçado e cassado.



A PF entrou no jogo do impeachment e será ela a decidir o futuro de Bolsonaro e do Brasil.