Policial

Facção que matou mais de 30 no DF é alvo de operação da Polícia Civil

O Comboio do Cão nasceu no Recanto das Emas, mas expandiu a atuação para Santa Maria e Gama. Entre dos detidos, está um advogado


bookmark_borderCASOS DE POLICIA date_range13 Ago 2019 - 13h13 personMETRÓPOLES




A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, nas primeiras horas da manhã desta terça-feira (13/08/2019), uma megaoperação com o objetivo de desarticular facção criminosa criada na capital e especializada em roubos, tráfico e homicídios: o Comboio do Cão (CDC).



Mais de 300 agentes e delegados foram às ruas para cumprir 49 mandados de prisão preventiva e 55 de busca e apreensão. Entre os detidos, está um advogado acusado de trabalhar para a organização criminosa. Além do DF, a ação ocorreu simultaneamente em municípios de Minas Gerais, Goiás e Piauí.



O grupo brasiliense cresceu de forma isolada e não teria vínculo com organizações criminosas com atuação nacional, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Apesar da aparente independência do Comboio do Cão, a quadrilha busca se cacifar perante as demais facções e ganhar o respeito dos rivais.



Investigações da Divisão de Repressão a Facções Criminosas (Difac) apontam que a gangue do DF procura reproduzir práticas adotadas pelas grandes e conhecidas facções criminosas do país, como o PCC.




Mais de 30 pessoas teriam sido assassinadas pelos bandidos do CDC nos últimos anos. Como demonstração de força, os criminosos promoviam bárbaras execuções em portas de cadeias e de fóruns do DF. As investigações apontam que o grupo foi responsável, em 2016, pela morte de um homem com 30 tiros em frente ao fórum de Santa Maria. Alguns dias depois, o tio da vítima também foi assassinado com 50 tiros.



A unidade policial pediu também o sequestro de bens e bloqueio de contas das principais lideranças do bando. O intuito é atacar e enfraquecer o braço financeiro da quadrilha.



 



Códigos de conduta


O CDC tenta implementar métodos de disciplina e códigos de conduta. Um exemplo constatado pela PCDF foi a criação de um “tribunal do crime”, que consiste no julgamento de integrantes que descumpriram as regras impostas pelas lideranças.




Enquanto o PCC predomina nas regiões administrativas de Planaltina, São Sebastião, Paranoá, Ceilândia e Samambaia; o Comboio do Cão age no Gama, Santa Maria, Recanto das Emas e Riacho Fundo.




Pouco representativo no DF, a área de atuação do Comando Vermelho se restringe à Estrutural e Entorno de Brasília.