Política

GOVERNO TRAVA COM DESCONFIANÇA DOS BOLSONARO EM RELAÇÃO A MOURÃO

Desconfiança em relação ao general Mourão, estimulada por aliados e familiares, levou Jair Bolsonaro a reassumir o cargo 48 horas após a cirurgia de 28 de janeiro sem condições físicas; o resultado é que o governo está semi-paralisado; estão travadas iniciativas considerados fundamentais para o Planalto; para evitar desgastes, as críticas contra o general acabaram sendo terceirizadas por pessoas próximas do clã Bolsonaro, como o filósofo e guru Olavo de Carvalho e Steve Bannon, ex-estrategista do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump


bookmark_borderBRASIL POLÍTICA date_range08 Fev 2019 - 07h09 personBRASIL 247

247 - O clima de desconfiança instalado no governo acerca do protagonismo do vice-presidente Jair Bolsonaro ganhou contornos explícitos com a internação prolongada do presidente Jair Bolsonaro. A desconfiança, estimulada por aliados e familiares, levou Bolsonaro a reassumir o cargo 48 horas após a cirurgia, em uma tentativa de barrar as iniciativas de Mourão. Nesta linha, o prolongamento da internação e a resistência do núcleo bolsonarista em ter Mourão à frente do governo têm travado o andamento de pontos considerados fundamentais para o Planalto, como a reforma da Previdência, a edição da medida provisória sobre o recadastramento de armas de fogo e o acordo sobre a cessão onerosa do excedente produzido pela Petrobrás.



Reportagem das jornalistas Andrea Jubé e Carla Araújo, do jornal Valor Econômico, destaca que "a palavra de ordem entre ministros palacianos durante o afastamento de Bolsonaro é silêncio. Num governo sem voz, o general Mourão, de personalidade expansiva, mostrou-se aberto à imprensa e disposto a repercutir os fatos relevantes do país. No entanto, foi pressionado a se conter. Ele suspendeu, por exemplo, uma rodada de entrevistas que concederia a veículos estrangeiros, e tem falado menos com jornalistas que o aguardam na saída do gabinete".