Policial

Lava-Jato manda prender perito judicial que superfaturava laudos para Fetranspor

Prisão preventiva de Charles Fonseca William, foi autorizada pelo juiz Marcelo Bretas, titular da 7ª Vara Federal Criminal do Rio


bookmark_borderCASOS DE POLICIA date_range05 Dez 2019 - 05h32 personO GLOBO/Chico Otavio, Juliana Castro e Daniel Bias

Agentes da Polícia Federal em imóvel do perito Charles Fonseca William, acusado de superfaturar laudos para Fetranspor Foto: Pablo Jacob/O Globo



RIO - Agentes da Polícia Federal e procuradores do Ministério Público Federal (MPF) estão no bairro de Icaraí, em Niterói, para prender o perito judicial Charles Fonseca William em uma nova fase da Lava-Jato . Ele é acusado de,  em troca de propina,  fraudar laudos para favorecer empresas de ônibus e a outros clientes, superfaturando valores apurados em seus trabalhos no Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), entre outras manobras contábeis.




 



A função do perito no Tribunal de Justiça é apresentar relatórios técnicos para que sejam usados como prova em processos judiciais. No caso da Fetranspor, Charles fazia vista grossa e recebia valores indevidos para não dar andamento nas ações contra a entidade.



A operação desta quinta-feira, que também cumpre mandados de busca e apreensão na firma do perito, e em outros endereços ligados ao esquema, é baseada nas colaborações premiadas de Lélis Teixeira, ex-executivo da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Rio (Fetranspor), de Marcelo Traça, ex-presidente o Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio (Setrerj), e de Álvaro Novis, doleiro e operador do esquema de propina comandado pelo ex-governador Sérgio Cabral.



A prisão preventiva de Charles Fonseca William, foi autorizada pelo juiz Marcelo Bretas, titular da 7ª Vara Federal Criminal do Rio.



De acordo com a força-tarefa da Lava Jato no Rio, somente em uma das ações, citada no inquérito, Charles William teria calculado uma indenização irregular de R$ 57,9 milhões, posteriormente cobrada pela Auto Comercial Tupi ao governo do Estado por conta de um congelamento ilegal das tarifas de ônibus. Agentes da Polícia Federal e procuradores da República estão, agora, na casa de William, em Niterói, com o objetivo de prendê-lo.