Política

Maia: “Ninguém que não seja médico tem o direito de sugerir cloroquina…”

Em entrevista, presidente da Câmara disse que Bolsonaro é duro em suas falas, o que provoca reações, e que seu partido, o DEM, é bem diferente do Centrão


bookmark_borderBRASIL POLITICA date_range22 Mai 2020 - 08h51 personJORNAL DE BRASÍLIA

Hilda Cavalcante

redacao@grupojbr.com



O presidente da Câmara dos Deputados, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou na noite desta quinta-feira (21) que se contrair a covid-19 e Jair Bolsonaro lhe recomendar tomar cloroquina ele não tomará, pois “ninguém no país deve prescrever qualquer medicamento para os outros se não for médico”. Maia não seguiu adiante no comentário, feito horas após uma reunião com Bolsonaro e os governadores e tida como harmônica. De forma mais descontraída que de costume, ele disse que a crítica construtiva ao governo é importante, que muitas vezes se sentiu desconfortável em relação ao presidente e que a culpa do ativismo judicial, tão criticada por parlamentares e integrantes do Executivo, é dos próprios políticos que anos atrás procuraram muito os tribunais para impedir a tramitação de projetos e atos do governo.



A entrevista de Maia foi concedida pela internet, numa live, ao jornalista Magno Martins, e acompanhada por vários jornalistas – inclusive a repórter do Jornal de Brasília. O presidente da Câmara também defendeu a importância de as eleições serem adiadas por poucos meses para que os mandatos dos atuais prefeitos e vereadores não sejam prorrogados. Disse, ainda, que considera o seu partido, o DEM, muito diferente do Centrão e contou, de maneira diplomática mas mantendo o tom de sempre, detalhes sobre suas divergências com o ministro da Economia, Paulo Guedes.



Rodrigo Maia só tentou desconversar uma única vez: quando perguntado sobre o motivo pelo qual não autoriza a abertura do pedido de impeachment do presidente Jair Bolsonaro. Além das mais de 30 solicitações sobre o tema já protocoladas, nesta quinta-feira (21) um pedido coletivo foi entregue à Câmara por parlamentares de vários partidos e cerca de 400 entidades da sociedade civil organizada.



 


“Não posso falar sobre esse tema porque como presidente da Câmara terei de atuar na questão como um juiz”, afirmou, tentando mudar de assunto. Quando a pergunta foi repetida em relação à possibilidade de um futuro pedido da Procuradoria-Geral da República de impeachment, a partir do inquérito que foi aberto para apurar interferência do presidente nas atuações da Polícia Federal, ele desconversou ainda mais. Disse que “aí se trata de outra questão”.



“Nesse caso vou ter de instalar o processo atendendo à ordem da PGR, mas são situações diferentes”, argumentou, sem maiores explicações sobre se vai considerar ou não os pedidos que estão na sua mesa desde o ano passado.



Momentos difíceis



Rodrigo Maia afirmou que já teve momentos difíceis com Bolsonaro e outros momentos mais amenos na relação com o presidente. Acha que boa parte dos problemas têm sido provocados por notícias falsas que circulam nos gabinetes do Palácio do Planalto e do Congresso que são levados ao presidente. E também, por fake news noticiadas diariamente nas mídias sociais.



“Lamento que isto esteja acontecendo num momento em que precisamos de união para trabalhar pelo país e ajudar as pessoas a se prevenirem dessa pandemia”, afirmou. Maia ressaltou que considera o exacerbamento observado nas redes sociais tão grave nos grupos de extrema direita como também nos de extrema esquerda. “O próprio presidente é bastante duro em vários posicionamentos, principalmente nas redes sociais e isso não é bom. Toda ação leva a uma reação”, opinou.



O presidente da Câmara lembrou, ao falar sobre a confusão entre Executivo e Judiciário por conta da decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de impedir a posse de Alexandre Ramagem na Polícia Federal, o caso do ex-presidente Lula.



“É engraçado. O que o Supremo fez foi o mesmo que já aconteceu no período da posse do ex-presidente Lula, que terminou não podendo assumir um ministério no governo Dilma Rousseff. E na época muita gente que está reclamando agora, achou bom”, frisou.



“Estamos estudando a solução que vários países adotaram para realizar eleições nesta situação que estamos enfrentando. Nossa posição é que, prorrogando os mandatos, abriremos uma brecha para que no futuro, governantes que estejam com problemas para se reeleger arranjem algum pretexto para conseguirem ter seus mandatos adiados. Isso depõe contra a democracia do país”, disse.



O deputado falou de forma elegante sobre as divergências que teve com o ministro da Economia, Paulo Guedes, quando chegou a dizer, numa entrevista, que Guedes não era “um homem sério” e, sem citar explicitamente as palavras, manteve a existência das divergências.



Segundo ele, tudo aconteceu por conta do projeto de socorro aos estados e municípios com a pandemia e a votação da matéria – cujo conteúdo foi alterado na Câmara, mudado no Senado e o texto terminou sendo sancionado da forma como a Câmara queira inicialmente – mostrou que a intenção dele e dos parlamentares estava correta. “Mas o momento é de focarmos em ajudar o país e a população para combatermos esta pandemia”, reiterou.





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Hilda Cavalcante

redacao@grupojbr.com



O presidente da Câmara dos Deputados, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou na noite desta quinta-feira (21) que se contrair a covid-19 e Jair Bolsonaro lhe recomendar tomar cloroquina ele não tomará, pois “ninguém no país deve prescrever qualquer medicamento para os outros se não for médico”. Maia não seguiu adiante no comentário, feito horas após uma reunião com Bolsonaro e os governadores e tida como harmônica. De forma mais descontraída que de costume, ele disse que a crítica construtiva ao governo é importante, que muitas vezes se sentiu desconfortável em relação ao presidente e que a culpa do ativismo judicial, tão criticada por parlamentares e integrantes do Executivo, é dos próprios políticos que anos atrás procuraram muito os tribunais para impedir a tramitação de projetos e atos do governo.



A entrevista de Maia foi concedida pela internet, numa live, ao jornalista Magno Martins, e acompanhada por vários jornalistas – inclusive a repórter do Jornal de Brasília. O presidente da Câmara também defendeu a importância de as eleições serem adiadas por poucos meses para que os mandatos dos atuais prefeitos e vereadores não sejam prorrogados. Disse, ainda, que considera o seu partido, o DEM, muito diferente do Centrão e contou, de maneira diplomática mas mantendo o tom de sempre, detalhes sobre suas divergências com o ministro da Economia, Paulo Guedes.



Rodrigo Maia só tentou desconversar uma única vez: quando perguntado sobre o motivo pelo qual não autoriza a abertura do pedido de impeachment do presidente Jair Bolsonaro. Além das mais de 30 solicitações sobre o tema já protocoladas, nesta quinta-feira (21) um pedido coletivo foi entregue à Câmara por parlamentares de vários partidos e cerca de 400 entidades da sociedade civil organizada.



 


“Não posso falar sobre esse tema porque como presidente da Câmara terei de atuar na questão como um juiz”, afirmou, tentando mudar de assunto. Quando a pergunta foi repetida em relação à possibilidade de um futuro pedido da Procuradoria-Geral da República de impeachment, a partir do inquérito que foi aberto para apurar interferência do presidente nas atuações da Polícia Federal, ele desconversou ainda mais. Disse que “aí se trata de outra questão”.




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“Nesse caso vou ter de instalar o processo atendendo à ordem da PGR, mas são situações diferentes”, argumentou, sem maiores explicações sobre se vai considerar ou não os pedidos que estão na sua mesa desde o ano passado.



Momentos difíceis



Rodrigo Maia afirmou que já teve momentos difíceis com Bolsonaro e outros momentos mais amenos na relação com o presidente. Acha que boa parte dos problemas têm sido provocados por notícias falsas que circulam nos gabinetes do Palácio do Planalto e do Congresso que são levados ao presidente. E também, por fake news noticiadas diariamente nas mídias sociais.



“Lamento que isto esteja acontecendo num momento em que precisamos de união para trabalhar pelo país e ajudar as pessoas a se prevenirem dessa pandemia”, afirmou. Maia ressaltou que considera o exacerbamento observado nas redes sociais tão grave nos grupos de extrema direita como também nos de extrema esquerda. “O próprio presidente é bastante duro em vários posicionamentos, principalmente nas redes sociais e isso não é bom. Toda ação leva a uma reação”, opinou.



O presidente da Câmara lembrou, ao falar sobre a confusão entre Executivo e Judiciário por conta da decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de impedir a posse de Alexandre Ramagem na Polícia Federal, o caso do ex-presidente Lula.



“É engraçado. O que o Supremo fez foi o mesmo que já aconteceu no período da posse do ex-presidente Lula, que terminou não podendo assumir um ministério no governo Dilma Rousseff. E na época muita gente que está reclamando agora, achou bom”, frisou.




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Em outro momento em que demonstrou desconforto, Maia foi contundente ao afirmar que seu partido o DEM, não tem semelhanças com o Centrão, que está fazendo articulações com o governo para aumentar a base aliada de Bolsonaro no Congresso.



DEM e Centrão



“O DEM não é o Centrão. Com todo o respeito aos partidos que fazem o bloco, mas o Centrão costuma se articular por troca de cargos e nós não, tanto é que não participamos de todos os governos. Temos uma atitude programática e nunca fizemos parte dos governos de Lula, de Dilma e nem deste do presidente Bolsonaro. Particpamos, sim, dos governos de Fernando Henrique Cardoso (FHC) e de Temer”, pontuou.



Quando indagado sobre os ministros do DEM no governo, Maia afirmou que estes foram indicados por iniciativa própria de Bolsonaro levando em conta interesse pessoal dele em tê-los na equipe – até mesmo o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (demitido no último mês).



E que os cargos ocupados por estes integrantes do DEM nunca foram computados como uma vaga ocupada pela legenda no atual Executivo. São estes, além de Mandetta, Onix Lorenzoni (ex-ministro da Casa Civil, hoje titular do Ministério da Cidadania), a ministra Tereza Cristina, da Agricultura, e o ex-ministro Osmar Terra, ex-titular da Cidadania.



Eleições



Rodrigo Maia aguarda a decisão do grupo que avalia a possibilidade de adiamento das eleições, mas adiantou ser favorável a que o pleito aconteça ainda este ano, para que os mandatos não sejam prorrogados. “Vamos tentar ver uma data adequada, mas o adiamento para 2021 só em última hipótese. Esperamos que, a partir de agosto, as coisas estejam melhores em relação à pandemia”, frisou.