Religião

Na primeira missa do ano, o papa Francisco pediu foco nos refugiados e abandono do consumismo

"Não podemos extinguir a esperança de seus corações", disse Francisco sobre os refugiados.


bookmark_borderRELIGIÃO E FÉ date_range01 Jan 2018 - 12h07 personOSUL

Na primeira missa do ano, o papa Francisco aconselhou as pessoas a abandonarem a bagagem inútil em 2018, incluindo o que chamou de conversa vazia e consumismo banal, e se concentrarem em construir um mundo pacífico e acolhedor, particularmente para refugiados e imigrantes.



O pontífice compartilhou as suas reflexões durante a missa de Ano-Novo nesta segunda-feira (01) na Basílica de São Pedro, no Vaticano, e depois cumprimentou cerca de 40 mil pessoas que aguardavam do lado de fora, na praça de São Pedro.



Sua receita para chegar ao essencial inclui deixar um momento de silêncio diário para estar com Deus. “Fazer isso ajudaria a manter a nossa liberdade de ser corroída pela banalidade do consumismo, o vazio dos comerciais, o fluxo de palavras vazias e as ondas dominantes de vibração vazia e gritos altos”, disse.



O papa recomendou deixar para trás todo tipo de bagagem inútil para redescobrir o que realmente importa e começar de novo a partir disso. “No início do ano, nós também, como cristãos em nosso caminho de peregrinos, sentimos a necessidade de recomeçar do centro, deixar para trás os encargos do passado e começar a partir das coisas que realmente importam.”



A Igreja Católica designa o dia 1º de janeiro como o Dia Mundial da Paz e, em seus pronunciamentos para a multidão, o papa reforçou que o foco desse dia foi a busca da paz para migrantes e refugiados. “Por essa paz, que é direito de todos, muitos deles estão dispostos a arriscar suas vidas em uma viagem que é, na grande maioria dos casos, longa e perigosa, enfrentando dificuldades e sofrimento”, disse o pontífice.



Nos últimos anos, centenas de milhares de imigrantes atravessaram o Mediterrâneo a partir do Norte da África em barcos precários, desesperados por alcançar as costas europeias. As viagens estrangeiras do papa em 2017 incluíram viagens a Myanmar e Bangladesh, onde o sofrimento da minoria muçulmana Rohingya, que foge do primeiro país para se refugiar no segundo, foi uma preocupação central de sua peregrinação.



Ainda sobre refugiados, o pontífice disse: “Não podemos extinguir a esperança de seus corações. Não vamos sufocar suas expectativas de paz”. Ele pediu que todos assumissem compromissos para garantir aos refugiados e migrantes um futuro de paz. O papa então orou para que as pessoas trabalhem neste novo ano com generosidade para realizar um mundo mais unido e acolhedor.



Guerra




O papa Francisco atacou neste domingo (31), em homilia feita durante cerimônia realizada na Basílica de São Pedro, no Vaticano, os conflitos entre povos, que classificou como “obras de morte”. “As guerras são um sinal flagrante desse orgulho reincidente e absurdo. Mas, também o são, todas as pequenas e grandes ofensas à vida, à verdade, à fraternidade, que causam múltiplas formas de degradação humana, social e ambiental”, disse. Na Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, o papa Francisco entoou o hino “Te Deum”, de ação de graças pelo ano que terminou.