Política

Não há “segunda fase” sendo iniciada para prender mandantes, diz Jânio de Freitas sobre caso Marielle


bookmark_borderBRASIL POLÍTICA date_range14 Mar 2019 - 06h20 personDCM

Em sua coluna, publicada na Folha, Jânio de Freitas analisa as prisões dos suspeitos de matarem Marielle Franco e as pessoas envolvidas no caso: “Menos atraente, mas não menos importante, a descoberta involuntária do estoque de armas de combate, em seguida à prisão do matador de Marielle Franco, lança sobre a polícia e as promotoras do caso o primeiro efeito. Inutiliza o seu argumento de que Ronnie Lessa agiu “por repulsa à atuação política da vereadora”, sob impulso da obsessão contra “pessoas que se dedicam às causas das minorias”. Para dar consequência fatal à alegada obsessão, Ronnie Lessa, ou qualquer outro, não precisaria de 117 fuzis do conceituado modelo M-16. E nem é certo que o depósito encontrado seja o único”.



Ele continua: “Do raso mergulho na psicologia de Lessa, polícia e promotoras trouxeram ainda a dedução de estarem diante de um contrabandista. Logo, uma das misteriosas fontes do armamento que domina favelas e fortalece o chamado crime organizado. É uma hipótese. A mais fácil. Por isso, incapaz de explicar, com o estoque de fuzis, a presença de silenciosos, objetos que abafam o som do tiro e que não são usados pelo crime organizado nem pelos traficantes favelados”.



O texto também diz: “Também a divulgação das autorias do crime contra Marielle, a 48 horas de um ano completado desde sua ocorrência, adotou uma justificativa inaceitável. Quando a veracidade não atrapalhará ações futuras, a desinformação é um desrespeito. Polícia e Promotoria decidiram pelas prisões e divulgação, não porque a investigação chegasse agora ao estado “maduro”, como foi dito, mas para evitar o achincalhe que a frustração hoje despejaria sobre esses investigadores do crime. Uma providência compreensível, com um complemento ridículo”.



“Não há “segunda fase” sendo iniciada, esta para prender possíveis mandantes. Mas identificar interessados na morte de Marielle, para localizar o personagem determinante, foi a primeira reação da polícia ao crime. Objetivo não abandonado desde então. A etapa atual pode ser, isso sim, a de obter mais provas ou aprofundar descobertas na criminalidade. Mas criar essas fantasias de segunda fase, estado maduro e que tais não ludibria os visados e engana o público”, escreve o autor.