Policial

PCDF indicia sete acusados de “rachadinha” na Câmara Legislativa

Ex-comissionado da Casa é considerado líder de esquema. Pelo menos cinco pessoas repassavam parte dos salários a ele, segundo a polícia


bookmark_borderCASOS DE POLICIA date_range02 Dez 2019 - 14h58 personMETRÓPOLES/ NATHÁLIA CARDIM

Polícia Civil concluiu inquérito que investiga denúncias de “rachadinhas” na Câmara Legislativa. Sete pessoas foram indiciadas, entre as quais, Deivid Lopes Pereira. Ex-comissionado da Casa, ele é acusado de liderar o esquema e chegou a ser preso em setembro deste ano, durante a primeira fase da Operação Escalada. Nesta segunda-feira (02/12/2019), a PCDF deflagrou nova etapa e recolheu material, que passará por análise. Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão no Plano Piloto e Gama.



Os indiciados vão responder pelos crimes de concussão, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. De acordo com a Coordenação Especial de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Cecor), após a primeira fase, analisando o material, a especializada conseguiu identificar que haviam mais pessoas envolvidas no esquema.



“Após a análise de vasta documentação e material apreendidos, conseguimos chegar a esse esquema. O inquérito foi concluído na semana passada com o indiciamento de sete pessoas”, disse o chefe da Cecor, Leonardo de Castro.



Dos sete indiciados pela polícia, três pessoas também são consideradas vítimas, pois repassavam grande parte de seus salários a Deivid Lopes Pereira, ainda de acordo com a PCDF.



 



O diretor da Divisão de Repressão ao Crime Organizado (Draco), Adriano Valente, disse que, até o momento, as investigações apontam que os funcionários eram lotados nos gabinetes da deputada Telma Rufino (Pros) e do deputado Hermeto (MDB), mas não há indícios de participação dos parlamentares.



“As investigações continuam em andamento apurando a possível ocorrência de rachadinha também em gabinetes de outros parlamentares”, destacou o delegado.



O esquema, segundo os investigadores, era bem organizado. “Para dificultar as investigações, os envolvidos passaram a buscar outras formas de recebimento dos valores por parte dos servidores. Além da movimentação direta dos salários, o líder Deivid utilizava os cartões bancários das pessoas para movimentar as contas pessoais delas e também fazia negociações diretas com corretores de seguros, imóveis e veículos, adquirindo bens em nome dos servidores, mas que, na verdade, ficavam pertencendo a ele”, disse Valente.



Pelo menos cinco pessoas repassavam parte dos salários ao Deivid. Algumas vezes, ele ficava com todo o valor, conforme a investigação. “Localizamos conversas inclusive em que uma delas chega a pedir R$ 200 para comprar comida porque não tinha em casa. Uma outra solicitou a mesma quantia para comprar remédios”, ressaltou Valente.



Além das cinco vítimas de concussão, outros dois servidores também praticavam o peculato. Na medida em que recebiam os salários da CLDF, eles faziam serviços particulares ao Deivid durante a jornada de trabalho.



Deivid era lotado no gabinete de Telma e seria indicação de Fernando Fernandes (Pros). O Metrópoles não conseguiu contatá-lo até a última atualização desta reportagem. O espaço está aberto. Por meio da assessoria, o deputado delegado Fernando Fernandes disse não estar ciente da operação da PCDF. Afirmou ainda que exonerou o comissionado assim que retornou à CLDF.



“Sobre a acusação de ‘rachadinha’, o distrital não tem conhecimento, pois nunca pediu ou exigiu valores dos vencimentos de qualquer servidor comissionado. Vale ressaltar que Deivid não foi indicação do deputado Delegado Fernando Fernandes”, destacou.



No começo deste mês, pelo menos quatro ex-funcionários do deputado Hermeto o denunciaram ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), por supostas irregularidades no gabinete do parlamentar, entre elas a prática de “rachadinha”.



Sobre as indicações em seu gabinete, supostamente feitas por Deivid, Hermeto disse que esta informação não procede. “O que os servidores fazem da porta para fora, com quem eles conversam, se tomam café, fazem amor, é problema deles. Se eles se encontram com o Deivid é com eles. Lá no meu gabinete não tem ninguém dele”, disse ao Metrópoles. “O Deivid trabalhou na minha campanha e depois rompemos por pensamentos diferentes. Ele não tem nada no meu mandato”, acrescentou.



Colaborou Suzano Almeida