Política

Reforma da Previdência – interesse e fé

A manchete da Folha sobre o apoio à reforma da Previdência é maliciosa. Enquadra-se na categoria das “mentiras estatísticas”


bookmark_borderBRASIL POLITICA date_range11 Jul 2019 - 07h27 personPORTAL GGN

Acreditar nos benefícios da reforma da Previdência é uma questão de interesse ou fé.



A manchete da Folha sobre o apoio à reforma da Previdência é maliciosa. Enquadra-se na categoria das “mentiras estatísticas”







Em 09 de julho de 2019, o jornal a Folha de São Paulo traz a seguinte manchete:




 



“Apoio à reforma da Previdência cresce e parcela dos contrários já não é a maioria”







Com 47% de apoio, tampouco os favoráveis seriam maioria. Mas aí já é outra história entender que contados os 2% de erro da pesquisa, haveria um empate técnico entre apoio e rejeição à reforma da previdência.



Isso porque, para entender a pesquisa Datafolha sobre o apoio à reforma da Previdência, é necessário dividi-la em 3 grupos de interesses – quem perde, quem ainda não se sente afetado e quem ganha com ela.



Trabalhadores – apoio minoritário = 41% (perdem)



Precariado – apoio dividido = 54% (indiferentes – fora do sistema público de previdência)



 



 



Porém, quando se qualifica quem apoia e quem rejeita essa reforma, talvez a manchete mais adequada fosse: “quem ganha apoia, quem perde rejeita”.



Empresáriado – apoio majoritário = 73% (ganham)







Coerente com isso, o apoio à reforma da Previdência é menor entre os mais jovens – de 16 a 44 anos – a rejeição é de 50% e o apoio de 41%. Entre os de menor renda – entre os que recebem até 2 salários mínimos – a rejeição é de 47% para um apoio de 43%; enquanto para os que recebem mais de 10 salários mínimos o apoio é de 69% para uma rejeição de apenas 26%.







Porém, há que se reconhecer que a propaganda favorável à reforma deu resultado. O apoio cresceu de 41% em abril para 47% em julho de 2019 e a rejeição caiu de 51% para 44%, isso em qualquer categoria que se analise. Foi um massacre midiático onde do Jornal Nacional até apresentadores de programas popularescos só houve noticiário a favor.



No entanto, aqui também é necessária uma análise mais cuidadosa. É preciso analisar o grau de exposição à propaganda favorável à reforma e a capacidade intelectual de analisar as informações.







Há um aparente contrassenso. Entre os que tem ensino fundamental – que também correspondem aos mais pobres, o apoio saltou de 42% em abril para 51% em julho.



Já, entre os que tem nível médio e superior de escolaridade isso não se verifica. No nível médio de escolaridade a rejeição é maior que o apoio (47% e 44%) e no nível e no nível superior há um empate (47% e 48%).



 


A Folha também mostra que quanto mais informado sobre a reforma o público está – ou seja, quanto mais foi exposto à propaganda – maior é o apoio. Entre os que se dizem bem informados o apoio é de 56% e a rejeição de 42%. Isso se inverte entre os que se dizem pouco informados – 54% de rejeição para 34% de apoio.



Mas isso só afeta significativamente aos menos escolarizados. Em outras palavras, a propaganda convenceu aqueles que não tinham como exercer a crítica em relação ao conteúdo e as consequências da reforma e foram levados a acreditar que a reforma trará os fantásticos e irreais níveis de crescimento que a propaganda popular apregoa, mas que já foram desmentidos pela mídia especializada em economia.



E há ainda os que querem ser enganados.







Entre os que declararam que votaram em Bolsonaro, o apoio é de 67% para uma rejeição de apenas 27%. Já, entre os que declararam votar em Haddad ou não votaram em nenhum dos dois candidatos, a rejeição sobe à casa de algo em torno de 65% e o apoio fica em 25%. Em abril de 2017, durante o governo Temer 71% da população rejeitavam a reforma da previdência. Mas, quem acreditava em Temer?