Policial

Responsáveis por mortes na Paraisópolis são organizadores do Baile da DZ7, diz porta-voz da PM

Porém, o tenente-coronel disse não minimizar as imagens que circulam nas redes sociais que mostram um provável abuso da instituição contra jovens


bookmark_borderCASOS DE POLICIA date_range02 Dez 2019 - 09h05 personJOVEM PAN

Entre a noite do último sábado (30) e madrugada do domingo (1) nove pessoas morreram na favela de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, no Baile da DZ7 – popular festa de funk da região que atrai jovens do interior do Estado e também do Rio de Janeiro.



 



De acordo com a Polícia Militar, uma perseguição que terminou com a evasão dos criminosos dentro do Baile teria motivado o tumulto. Moradores locais, porém, reforçam a ação truculenta dos policiais e relataram abuso por parte das autoridades.







Em entrevista ao Jornal da Manhã, o tenente-coronel Massera, porta-voz da PM, explicou a dinâmica da ação e disse que um inquérito foi instaurado para apurar as circunstâncias das ações da Polícia. Para ele os verdadeiros responsáveis pela morte das vítimas são os organizadores do baile da DZ7.



“Na madrugada tínhamos mais de 5 mil pessoas na região, então a PM optou por não atuar dentro do baile – mas, sim, fazer policiamento no entorno para evitar ocorrências na região das avenidas Giovanni Gronchi e Hebe Camargo. Uma moto suspeita não atendeu nossa abordagem e se deu início a perseguição, onde os indivíduos se evadiram no baile. Houve pedido de apoio e a Força Tática chegou com granadas de efeito moral e gás lacrimogênio”, explica.



Massera ressalta que a correria e a confusão – circunstâncias principais das mortes, que teriam motivado o pisoteamento – se deram antes da atuação de controle de distúrbio da Força Tática. Ele alega que uma “ação de dispersão” poderia ter resultado em uma ocorrência ainda pior.



“Foi instalado um inquérito para apurar todas as circunstâncias desse fato. Apreendermos as armas dos envolvidos, pedimos exames. Mas estamos tirando o foco principal: o problema não foi a ação policial. Foi o pancadão com 5 mil pessoas acontecendo dentro de um bairro”, lembra Massera.



O porta-voz da Polícia Militar disse que 250 bailes aconteciam simultaneamente no horário das mortes – e que a PM realizou o policiamento de todos eles. “Esses bailes são um barril de pólvora que pode explodir novamente se nada foi feito”, explica.



Porém, o tenente-coronel disse não minimizar as imagens que circulam nas redes sociais que mostram um provável abuso da instituição contra jovens – independente dos registros terem sido feitos no último fim de semana.



“As imagens sugerem ação desproporcional, abusiva e violenta e que não compactuam com as ações da PM. Não sabemos se aconteceu na mesma madrugada, mas isso não diminui a importância dos fatos. A Corregedoria já esta com o material”, afirma.



identificando os policiais responsabilizaremos os envolvidos em tempo relativamente curto.



Soluções



Segundo Emerson Massera, a categoria tem que “encontrar solução” para tirar os bailes dali. “Todos nós somos interessados nisso. O morador, a sociedade e o Governo – todos pensam e alternativas para tirar o baile dali.”



“Além da intenção de urbanizar a favela de Paraisópolis, já oferecemos o Autódromo de Interlagos e o Anhembi para os eventos”, completa.