Política

#VazaJato: Sergio Moro orientava e participava de reuniões da PF para definr operações

Conversas demonstram que Sergio Moro, além de conspirar com os procuradores e comandar a força-tarefa da Lava Jato, ainda se meteu com a Polícia Federal orientando nas operações.


bookmark_borderBRASIL POLITICA date_range19 Out 2019 - 07h44 personPORTAL GGN

Jornal GGN – Mais um episódio da Vaza Jato nos chega. E, nele, conversas que demonstram que Sergio Moro, além de conspirar com os procuradores e comandar a força-tarefa da Lava Jato, ainda se meteu com a Polícia Federal orientando nas operações. As conversas da Lava Jato no Telegram mostram como o então juiz Sergio Moro ordenou busca e apreensão na casa de suspeitos sem que o Ministério Público provocasse, o que é irregular.



Luciano Flores, delegado da PF, dá a deixa em conversa no grupo Amigo Secreto: ‘Russo deferiu uma busca que não foi pedida por ninguém… hahahah. Kkkkk’. Outra delegada da PF pergunta: ‘Como assim?’. Ao que ele respondeu: ‘Normal… deixa quieto… Vou ajeitar… kkkk’. Russo, para quem não se lembra, é o apelido usado por delegados e procuradores para Sergio Moro.



Sergio Moro foi a iminência parda da Lava Jato. E a Vaza Jato comprova. As conversadas vazadas para o The Intercept mostram um juiz conspirando em segredo e de forma ilegal com procuradores, interferindo em casos e influindo até na agenda de operações. E depois bradava que julgava de maneira imparcial.



Os diálogos de hoje mostram mais uma faceta do então juiz e hoje ministro da Justiça, ele também interferia nas ações da Polícia Federal.



Um juiz precisa aprovar busca e apreensão bem como a condução coercitiva. É o caminho. Mas os diálogos mostram que, ao contrário do dar aval, o ex-juiz ajudou no planejamento da operação, inclusive definindo o que deveria ser apreendido. Uma clara violação do sistema acusatório.



4 de março de 2016 – Grupo Amigo Secreto




 



Márcio Anselmo – 10:50:34 –Vai pedir pra apreender as caixas do sindicato???



Roberson Pozzobon – 10:53:23 – Moro pediu parcimônia nessa apreensão. Acho que vale a pena ver exatamente o que vamos apreender



Anselmo – 10:53:45 – O pessoal lá pediu pra retificar o mandado



Anselmo – 10:53:58 – Não sei o que fazer



Anselmo – 10:54:05 – Vivo ainda continua um impasse



Igor Romario de Paula – 10:54:38 – Vai ser difícil checar isso no local



 


Anselmo – 10:55:58 – Aguardo decisão de vcs



Deltan Dallagnol – 10:56:20 – concordo, tudo



Anselmo – 10:56:21 – Tem coisa muito valiosa



Pozzobon – 10:56:29 – Igor, pode ligar para o Moro para explicar?



Anselmo – 10:56:33 – Moscardi disse que tem coisa que vale mais de 100 mil



Pozzobon – 10:56:41 – Ou Marcio



 


Anselmo – 10:56:41 – Moro tá em audiência



Pozzobon – 10:57:24 – Acho que vale a pena pedir para a equipe esperar um pouco para termos o aval do juiz



Dallagnol – 10:57:52 – boa



Renata Rodrigues – 10:58:16 – Márcio tá pedindo extensão do mandado pra possibilitar apreensão



Anselmo – 10:59:01 – Pedi



Dallagnol – 10:59:06 – Boa



 


Conversas mais antigas mostram que as orientações de Moro nas operações ocorriam em 2015, como esta de uma semana antes da 14ª fase da Lava Jato.



12 de junho de 2015 – Grupo FT MPF Curitiba 2



 



Orlando Martello – 18:57:12 – Pessoal, o russo quer q deixemos a Q.G. fora da próxima festa. Posso dar ok?



Roberson Pozzobon – 18:58:00 – [anexo não encontrado]



 


Deltan Dallagnol – 23:10:48 – Se ele tem reclamado de sobrecarga, é melhor concordar… Diogo, como evoluiu a Q.G.? Podemos fazê-la como próxima fase com outras mamão com açúcar como MPE e ALUSA, depois de Angra.



Os diálogos vazados mostram que, à época, as reuniões entre o juiz, procuradores e policiais federais para detalhar ações da Lava Jato ocorriam regularmente. Entre 2015 e 2016 foram mapeadas nos arquivos ao menos nove referências a encontros envolvendo delegados da PF e Moro. O procurador Santos Lima, em uma ocasião, falou sobre uma dessas reuniões em um grupo intitulado FT MPF Curitiba 2, em 19 de julho de 2015, onde diz: ‘Estou conversando com o Moro. Ele acha que as prisões seriam fracas e não valeria a pena adiar. Estou tentando transferir a reunião com a Érika para o gabinete dele’.



Os procuradores do MPF e os delegados da Polícia Federal consideravam normal que Moro comandasse a estratégia e os detalhes. E a ele se reportavam pedindo orientações. E era feito regularmente, como se fosse normal. E os procuradores discutiam abertamente as ordens de Moro que deveriam cumprir.



 


 23 de outubro de 2015 – Grupo PF-MPF Lava Jato 2



Athayde Ribeiro Costa – 09:36:46 – Prezados, sabem dizer onde localizo a planilha/agenda apreendida com BARRA que descreve pgtos a diversos politicos. Lembro que o russo tinha pedido protocolo separado. Vamos precisar pra manter a prisao dele la em cima



Costa – 09:37:24 – É URGENTE



Erika Marena – 10:04:20 – Oi Athayde, o russo tinha dito pra não ter pressa pra eprocar isso, dai coloquei na contracapa dos autos e acabei esquecendo de eprocar



Marena – 10:04:38 – Vou fazer isso logo



Costa – 10:16:28 – Erika, aguarde q vou te ligar. Abs



Marena – 10:17:44 – Ok



Os procuradores também comentavam que Moro ultrapassava demais os limites de seu papel como juiz. Monique Cheker, em um comentário, disse que ‘Moro viola sempre o sistema acusatório e é tolerado por seus resultados’.



Mas não só procuradores e policiais federais entendiam esse comportamento como impróprio. Moro também tinha consciência disso, mas só o demonstrava negando sistematicamente sua atuação na elaboração de estratégias da Lava Jato, inclusive em palestras. Em uma delas, de 2016, ele negou publicamente ter feito exatamente o que fez pois sabia que violava o contido no capítulo 3 do Código de Ética da Magistratura e do artigo 25 do Código de Processo Penal, lançando dúvidas sobre sua imparcialidade.



 


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