2 FILMES E 4 CANÇÕES SOBRE O HEROICO COMANDANTE GUEVARA, O 'CHE PUEBLO'

13 de janeiro de 2026 29

 "El nombre del hombre muerto 

ya no se puede decirlo, quién sabe?

Antes que o dia arrebente, 

antes que o dia arrebente.

El nombre del hombre muerto, 

antes que a definitiva noite 

se espalhe em Latinoamérica,

el nombre del hombre es Pueblo, 

el nombre del hombre es Pueblo"

(Capinam, Gil e Torquato)

No final da década de 1960 eram muitos os jovens que, em todo o mundo, viam Che Guevara como o próprio símbolo da revolução.

Enquanto Marx, Lênin, Stalin, Trotsky, Mao e o próprio Fidel só significavam algo para os politizados, o Che tinha uma força simbólica indiscutivelmente maior -- e muito mais adeptos na faixa da adolescência e mocidade.

Quais serão os motivos de culto tão perene?

Há quem o atribua, depreciativamente, à semelhança visual entre o Che abatido e o Cristo crucificado, omitindo que as trajetórias também são semelhantes.

Ambos desdenharam os bens materiais e foram solidarizar-se com os pobres, oferecendo-lhes apoio e esperanças. Despertaram a fúria dos poderosos de seu tempo e foram por eles destruídos, terminando sua jornada com muito sofrimento.

Vale também lembrar que os relatos que chegaram até nós sobre o homem de \Nazaré não têm áreas nebulosas como aqueles episódios em que Guevara parece haver incorrido em violência excessiva.

Filme de Walter Salles (2004) sobre o Che de antes da revolução  

Mas, se Cristo disse que não vinha trazer a paz, mas a espada, foi Guevara quem a empunhou. E a guerra nunca inspirou os melhores sentimentos ao ser humano. Pelo contrário, desperta seus piores instintos.

Então, a luta justificada e necessária contra o tirano Fulgêncio Batista pode ter feito aflorar o Robespierre latente naquele homem antes tão afável, como foi retratado no filme Diários de Motocicleta.

Contradições são, enfim, inerentes a todo ser humano. Não existe o herói perfeito e impoluto, salvo em nossa imaginação. 

Canção do Gil e Capinam; participou do Festival da Record de 1967.

ERA BRIZOLA UM GUSANO?  Um relato interessante foi o que me fez o companheiro Moisés (José Raimundo da Costa), antigo militante do Movimento Nacionalista Revolucionário, responsável pela abandonada guerrilha de Caparaó. 

Disse que a dita cuja era parte do projeto de criação de um eixo guerrilheiro unindo Brasil e Bolívia, mas Leonel Brizola, a quem cabia desencadear a luta em nosso país, teria produzido apenas um arremedo de guerrilha, para justificar a dinheirama que recebera do governo cubano.

Não tenho como confirmar, mas as datas coincidem. E algum motivo deve haver para os cubanos naquele tempo se referirem a Brizola como um gusano (verme).

Canção do Milton e Fernando Brant; estava no Festival da Record de 1968   

Totalmente identificado com Fidel até a tomada de poder e durante os primórdios do governo castrista, Guevara acabou percebendo que o socialismo de seus sonhos não seria possível numa ilha pobre, asfixiada pelo embargo comercial estadunidense e obrigada a sujeitar-se às imposições da URSS em troca de ajuda econômica e proteção militar.

Seguindo o exemplo de Garibaldi e Bolívar, ele foi lutar noutros países. Abriu mão do poder e de honrarias para efetuar tentativas desesperadas de romper o isolamento da revolução cubana. E, após sua morte, acabou se tornando o símbolo maior do internacionalismo revolucionário.

EXECUTADO UM DIA APÓS SUA CAPTURA – Seu exemplo e seu martírio inspiraram os jovens que, em 1968, protagonizaram a última maré revolucionária. Tanto os marxistas que foram à luta armada, quanto os neo-anarquistas que barricaram Paris e cercaram o Pentágono, tinham Che como símbolo..

Canção de Cesar Roldão Vieira que participou do III FIC, em 1968 

Tornou-se o maior mito libertário do nosso tempo, alimentando as esperanças de que ainda aconteça aquela revolução com a qual os melhores seres humanos sempre sonharam e Marx tão bem delineou, o reino da liberdade, para além da necessidade.

Pode-se supor que, como Trotsky, ele tenha concluído que a revolução invariavelmente se deforma quando fica restrita a um só país – ainda mais uma nação pobre, atrasada e asfixiada pelo embargo comercial, como Cuba. 

E fez o que poucos fariam: assumiu a missão de encontrar uma saída para o impasse, nas condições mais desfavoráveis.

Canção do Vandré que só foi liberada após a abertura do ditador Geisel 

Morreu em outubro de 1967, executado um dia após sua captura pelo exército boliviano, que nada mais era do que um testa de ferro dos exterminadores dos EUA. Participaram da operação os rangers e os green berets do exército estadunidense, além de agentes da CIA. 

No mundo todo, os jovens que também lutavam contra o Império se identificaram com seus sonhos e seu exemplo. 

Não foram uma foto e um pôster que o transformaram em mito, mas sim esse exemplo de dedicação a uma causa justa até o sacrifício extremo.

Primeiro filme (2009) do Steven Soderberg (2009) sobre a trajetória do Che .

E, como os corações mais sensíveis e as mentes mais lúcidas não conseguiram vencer o sistema regido pela desigualdade e ganância, Che inspira até hoje os que não aceitam o capitalismo globalizado como o fim da História.

Daí a inutilidade dos frequentes ataques à memória do homem Ernesto Guevara -- como os lançados pela mídia reacionária.

Jamais atingirão, contudo, o mito Che Pueblo, personificação dos ideais igualitários que os melhores seres humanos vêm acalentando através dos tempos. (por Celso Lungaretti

Observação; fico devendo uma canção raríssima que Sergio Ricardo cantava 

em 1968 com o título de Che Guevara não morreu, foi proibida e voltou

 a partir da abertura política, rebatizada  de Aleluia (CL)

Sequência (2009) do filme do Steven Soderberg sobre a trajetória do Che

Fonte: CELSO LUNGARETTI
A VISÃO DEMOCRÁTICA (POR CELSO LUNGARETTI )