A conexão do PCC com os cartéis mexicanos

2 de julho de 2024 48

Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira, 2, a Operação Terra Fértil nos estados de Minas Gerais, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Bahia e Goiás. O objetivo principal é desmantelar uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro e falsidade material e ideológica, ligada ao tráfico internacional de drogas. As investigações indicam que o grupo, ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) movimentou mais de R$ 5,5 bilhões em transações suspeitas.

A operação mobilizou aproximadamente 280 policiais federais, que cumpriram 9 mandados de prisão preventiva e 80 mandados de busca e apreensão, além de diversas medidas cautelares como sequestro de bens e bloqueio de contas bancárias. Essas ordens foram expedidas pela 3ª Vara Federal Criminal da Comarca de Belo Horizonte, abrangendo todos os sete estados envolvidos na operação.

Envolvimento com o PCC e carteis mexicanos

As investigações desvendam uma intrincada rede montada pelo grupo criminoso, envolvendo uma vasta quantidade de indivíduos interconectados, muitos dos quais associados ao PCC.

No centro dessa rede está um narcotraficante internacional, que juntamente com pessoas físicas e jurídicas associadas, praticava diversos delitos. Esses crimes visavam principalmente ocultar e dissimular o patrimônio oriundo do tráfico internacional de drogas e outras atividades ilícitas.

O narcotraficante já era conhecido das autoridades, sendo alvo de investigações anteriores, com suspeitas de envio de cocaína para países da América do Sul e Central, em especial para violentos cartéis mexicanos.

Empresas de fachada

A investigação revelou que os envolvidos criavam empresas de fachada, sem vínculos de empregados registrados no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Por meio dessas empresas, adquiriam imóveis e veículos de luxo em nome de terceiros e movimentavam grandes somas de dinheiro, totalmente incompatíveis com o capital social declarado. Curiosamente, muitos sócios dessas empresas não possuíam vínculo empregatício há anos e alguns chegaram a receber auxílio emergencial.

Além disso, a PF descobriu que algumas dessas empresas realizavam transações com negócios no ramo de criptomoedas e outras atividades não relacionadas ao seu campo de atuação, sugerindo que esses investimentos estavam sendo usados para mascarar a origem ilícita dos valores movimentados.

Os agentes federais estimam que, no período investigado de pouco mais de cinco anos, a organização criminosa movimentou ilegalmente mais de R$ 5 bilhões. Esta operação é uma resposta contundente das autoridades na tentativa de desarticular e enfraquecer financeiramente um dos grupos mais sofisticados e perigosos atuando no tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro no Brasil.

Fonte: Redação O Antagonista