A escola de ioga de Buenos Aires acusada de explorar prostituição de alunos por 30 anos

19 de agosto de 2022 254

O prédio de dez andares no bairro residencial de Villa Crespo, na região norte de Buenos Aires, não chamava muita atenção dos moradores. Ali, funcionou por 30 anos a Escola de Yoga de Buenos Aires (EYBA).

Muitos acreditavam que o edifício era simplesmente uma organização da "New Age", que prometia curar as pessoas espiritualmente.

Mas, de acordo com a Justiça argentina, o que realmente funcionava naquele prédio era um perigoso esquema de pirâmide.

Por trás da fachada de "grupo espiritual", a escola atraia "alunos" — incluindo vários moradores dos Estados Unidos — para explorá-los financeiramente e, no caso de algumas mulheres, para prostituí-las.

O objetivo era obter dinheiro e favores.

Os donos da escola não se pronunciaram.

Em 12 de agosto, membros do Departamento de Tráfico de Pessoas da Superintendência de Investigações da Polícia Federal argentina invadiram o prédio e cerca de 50 outros locais em busca de 20 pessoas acusadas de liderar a organização criminosa.

Ao todo, 20 suspeitos foram presos. Também foi pedida a prisão de outras quatro pessoas que estariam nos Estados Unidos.

O juiz federal Ariel Lijo, responsável pelo caso, acusou os detidos de crimes de tráfico de pessoas para efeitos de redução à servidão (agravado por coação, furto qualificado, lavagem de dinheiro, associação ilícita, exercício ilegal de medicina, venda irregular de medicamentos e tráfico de influência).

Um dos presos era Juan Percowicz, um contador de 84 anos que é considerado o líder do grupo.

Percowicz já havia sido acusado dos mesmos crimes em 1993, mas o caso não avançou. Alguns policiais disseram acreditar que a ligação de Percowicz com autoridades o protegeu de ser condenado na época.

Além de prender os acusados, as autoridades fizeram buscas em 37 propriedades, apreenderam 13 carros e mais de um milhão de dólares (cerca de R$ 5,1 milhões). Os bens do grupo também foram congelados.

Como funcionava o esquema

Segundo a investigação, a Escola de Yoga de Buenos Aires faz parte de uma organização maior, a BA Group, com sede na capital argentina.

Ela recrutava alunos em três cidades americanas: Nova York, Las Vegas e Chicago.

O caso lista "179 alunos, distribuídos em suas diversas localidades".

A escola de ioga dizia ser "uma organização espiritual que ajuda a curar vícios e doenças, incluindo o HIV."

Percowicz é o líder espiritual do grupo. Seus alunos o chamam de "O Professor" ou "Anjo", e ele ocupa o posto mais alto da pirâmide: o sétimo.

Fonte: Veronica Smink - Da BBC News Mundo em Buenos Aires