A GUERRA DA UCRÂNIA É MUITO MAIS MONETÁRIA DO QUE MILITAR – 2
(continuação deste post)
As criptomoedas e as suas alardeadas valorizações, as quais nada mais são do que meramente especulativas, também caminham para o mesmo desfecho e de uma forma ridiculamente aceitas como válidas.
Como dizia um samba antigo, "está provado, porque neste mundo tem bobo pra tudo".
A falta de consistência da moeda estadunidense foi amiúde denunciada por nós aqui neste blog, quase que solitariamente. Agora o tema obtém destaque no noticiário internacional em razão das escaramuças da Rússia e da índia na defesa de uma moeda continental que promova a junção da rúpia com o rublo, e que viabilize suas relações comerciais (capitalistas, não se esqueçam).
Diante de tal perspectiva, não tardou para que Washington manifestasse seu temor e fizesse as ameaças próprias a quem se considera (mas é, facciosamente) polícia do mundo.
A Casa Branca assim se posicionou:
"O que não queremos é uma rápida aceleração das importações indianas da Rússia em termos de recursos energéticos ou outras exportações atualmente proibidas pelos EUA. Não criem mecanismos que apoiem o rublo e tentem minar o sistema financeiro baseado no dólar americano, pois haverá consequências para os países que tentarem ativamente contornar as sanções impostas à Rússia".
Por sua vez, Daleep Singh, vice-conselheiro de Segurança Nacional da Presidência dos Estados Unidos (incumbido das questões de economia global) disse que a visita à Índia se dá "num espírito de amizade para explicar a mecânica de nossas sanções".
Desapontado, Biden chamou de "trêmula" a posição da Índia sobre as sanções contra a Rússia, em contraste com os demais aliados dos EUA na Europa e na Ásia. A pressão de Washington foi secundada pela ida, no mesmo dia, da ministra das Relações Exteriores inglesa, Liss Truss, à Índia.
A diplomacia da Rússia qualificou de "chantagem" as ameaças dos EUA:
"A parceria [Rússia-Índia] não depende de considerações conjunturais. Mais ainda, não depende de métodos ilegais de diktats e chantagem. Usar tais práticas contra países como a Rússia, Índia, China, é fútil e apenas significa que essas pessoas que promovem, propõem e impõem tal visão sobre todos mais, não entendem completamente a natureza da identidade nacional desses países, com os quais eles tentam se comunicar usando a linguagem da chantagem e dos ultimatos".
O sistema de intercâmbio rublos-rúpias pretende usar o sistema de pagamentos russo SPFS, com ambos os lados abrindo contas em rublos e rúpias, e com a referência para a taxa de conversão em processo de definição.
Em resposta a Washington, a ministra indiana das Finanças, Nirmala Sitharaman, confirmou que o país começou a comprar petróleo russo.
"Ponho nossa segurança energética e os interesses do meu país em primeiro lugar. Se o fornecimento está disponível com um desconto, por que não comprá-lo?".
O mesmo procedimento está sendo usado pela Rússia para a venda de mercadorias para a União Europeia, ou seja, exigindo o pagamento em rublos, como forma de fortalecimento de sua moeda.
Por sua vez a China, que vende suas mercadorias para o mundo em dólar e tem dependência econômica e financeira desta moeda internacional, fica neste conflito de interesses mesquinhos com um pé lá e outro cá, ainda que o coração chinês bata mais forte por aproveitar-se da decomposição orgânica do dólar e do euro para firmar o seu iene como moeda fiduciária de aceitação global e, assim, impor com mais força sua pretendida hegemonia econômica capitalista.
Nada disto, entretanto, autoriza Vladimir Putin a cometer os crimes de guerra que vem cometendo contra a Ucrânia, país que quer manter vínculos com o ocidente capitalista ao invés de aliar-se ao bloco russo/indiano/chinês igualmente capitalista.
A guerra da Ucrânia é muito mais monetária do que militar, mesmo sendo os seres humanos as vítimas mais diretas e imediatas da crueldade desta ordem mundial capitalista que tem nos padrões monetários nacionais, as moedas, o mecanismo sofisticado de segregação social.
Tal mecanismo, neste momento de depressão econômica mundial, já nem mesmo corresponde à representação fidedigna do valor, tais como foram concebidas nos primórdios.
A humanidade não pode ser dirigida por tais interesses desumanos, numericamente abstratos pelo valor de troca, mas tornados reais sob a forma de valor de uso pelo consumo (as mercadorias). Eles são:
— ecologicamente predadores da natureza;
— artificialmente manipulados;
— sociologicamente conceituados como classistas e segregacionistas;
— violentamente belicistas; e
— reificados ditatorialmente como coisas que dão ordens ao nosso agir e pensar.
O humanismo que conservamos no recôndito das nossas consciências tem de brotar revolucionariamente como as flores na primavera, anunciando o bem e a virtude em contraposição a todos os tipos de maldades estruturais e seus interesses mesquinhos! (por Dalton Rosado)
Postado por celsolungaretti
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