A LOROTA DO ANO: "NÃO HOUVE MANDANTE DA MORTE DE DOM E BRUNO"

18 de junho de 2022 64

josias de souza

A MANDO DE QUEM A PF DIZ NÃO HAVER MANDANTE?

A Polícia Federal informou em nota oficial divulgada nesta 6ª feira (17) que os suspeitos de assassinar o indigenista Bruno Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips agiram sozinhos. 

As investigações indicariam que não há mandante nem organização criminosa por trás do delito. A versão é precipitada, desrespeitosa e espantosa. 

O comunicado foi divulgado horas antes da constatação científica de que são mesmo de Dom parte dos restos mortais recolhidos na floresta na 4ª feira. Prossegue a análise em relação a Bruno. 

Segundo a própria PF, a completa identificação é necessária para a compreensão das causas das mortes, assim como para indicação da dinâmica do crime e ocultação dos corpos. Nada mais precipitado do que descartar o que deveria ser a principal linha de investigação num estágio tão inicial do inquérito. 

Tanta pressa desrespeita os familiares dos mortos e todos os que esperam por uma investigação criteriosa, profunda e definitiva. A ligeireza insulta também quem se dispõe a colaborar com os investigadores.  

A Univaja, p. ex., estranha que estejam sendo ignorados dados que repassou ao Ministério Público, à Funai e à própria PF. São informações que apontam para uma criminalidade graúda.

O desprezo à colaboração externa espanta mais quando se considera que, neste caso, os agentes do Estado só chegaram aos primeiros presos graças ao auxílio dos informantes. 

De resto, não teriam encontrado roupas e pertences dos mortos sem o auxílio dos indígenas. De posse desse material, puderam cercar Amarildo Oliveira, o Pelado, extraindo dele a confissão que levou aos corpos. 

De duas, uma: ou a PF explica adequadamente por que despreza a hipótese de existência de mandante, ou vai restar a impressão de que o órgão age a mando de gente interessada em enterrar viva uma investigação incômoda para o governo. (por Josias de Souza)

Postado por 

Fonte: CELSO LUNGARETTI
A VISÃO DEMOCRÁTICA (POR CELSO LUNGARETTI )