A pandemia chega nos presídios e Moro nada fez e nada faz

9 de abril de 2020 87

No início da organização da guerra contra o coronavirus, o Ministro da Justiça Sérgio Moro rebateu qualquer tentativa de afrouxar as condenações.

Eram propostas simples: presos do semiaberto seriam autorizados a ficar em casa, por exemplo.

Sua lógica tosca era a de que não havia nenhuma infecção nos presídios. Logo, segundo o gênio de Maringá, bastaria proibir contatos dos presos com familiares ou advogados para se ter a blindagem.

Ontem, em reunião da Associação de Magistrados Brasileiros (AMB), o Ministério da Justiça confirmou o primeiro caso de coronavirus em presídio. Um preso no semiaberto que saiu temporariamente, voltou e apresentou sintomas de infecção.

Depois de infectado, foi autorizado a prisão domiciliar. E nenhuma decisão a mais resultou desse sinal evidente da tragédia anunciada.

E Moro usará de seus argumentos tão racionais como os do chefe: é apenas um; é apenas 10; é apenas 100; é apenas 50%.

Não é apenas falta de solidariedade. Como comprovou em todo seu período como Ministro, Moro tem uma dificuldade intransponível de tomar qualquer decisão, de pensar minimamente fora da caixinha.