A Ucrânia vive o terror anunciado
Este sábado, 26 de fevereiro de 2022, amanheceu como o esperado: o Exército russo cercando Kiev à base de bombas, ucranianos tentando resistir ao que todos sabemos que será impossível, e o país totalmente abandonado à própria sorte, como o presidente Volodimir Zelenski já havia atestado. Por mais que tenha sido explícito, pedindo apoio – talvez até ingenuamente –, aos países alinhados à OTAN, a resposta veio em forma de discursos e debates sobre sanções financeiras que só vão atingir a Rússia (se é que vão) a um longo ou médio prazo. A Ucrânia está derrubada, pisoteada, e a cabeça de Zelenski, literalmente, parece ser uma das metas de Vladimir Putin, em seu papel de czar de um pós-império russo.
Ninguém deveria esperar mais de políticos como Putin, ou Joe Biden, presidente dos EUA, país que tem um oceano inteiro longe do sangue ucraniano (e sim, russo também) derramado. Ou do próprio Zelenski, que permitiu grupos nazistas em seu país. Ou Olaf Scholz, premier alemão, com seu país amarrado pela dependência do gás russo; ou Emmanuel Macron, presidente francês, que tenta se reeleger em abril; ou Boris Johnson, que parece cada vez mais inoperante em seu papel de primeiro-ministro (vergonha alheia até para a história também sanguinolenta dos britânicos). Ou dos megaempresários globalizados que têm negócios com a Rússia.
Milhões são esperados em países vizinhos, como refugiados de guerra. Os cerca de 500 brasileiros na Ucrânia se viram diante de “ordens” da embaixada desgovernada, como acontece com todo o governo Bolsonaro, pedindo para que todos se deslocassem a Kiev quando as estradas já estavam engarrafadas e com combustível sumindo dos postos. Relatos são de que os brasileiros que ligavam para a embaixada brasileira, quando eram atendidos – muitas vezes nem isso – os funcionários consulares respondiam em ucraniano, não em português.
E ainda davam informações erradas, mandando que todos fossem a Kiev, quando sabe-se que o aeroporto da capital ucraniana está bloqueado e ninguém pode sair do país por via aérea. A única coisa que funciona no país são alguns trens e a população está “enterrada” nos bunkers das estações de metrô. Em nenhum momento – nenhum – essa embaixada mostrou que estava preparada para o que o mundo sabia que estava pronto para acontecer.
Em paralelo a qualquer iniciativa oficial, alguns tentavam se deslocar a pé para a Polônia, enquanto clubes de futebol colocaram escoltas para levar jogadores brasileiros de futebol e famílias para Kiev, de onde, ao que parece, conseguiram agora saírem de trem até o entroncamentos da República Tcheca, Eslováquia e Romênia. Na guerra, o dinheiro manda e muita gente graúda ganha. No fogo cruzado, populações inteiras vivem o terror e a morte totalmente inútil por causa de uma guerra política.