A um ano da Copa no Catar, seleção renasce nos pés de uma nova geração
A cotovelada de Otamendi na boca do atacante Raphinha, bloqueando a investida do atacante pelo lado direito do ataque do Brasil, foi a primeira senha.
A segunda foi a carretilha de Vinícius Jr em Molina, rente a linha de fundo, pela esquerda, tentando ganhar a área.
Uma no primeiro tempo, a outro no segundo.
Dois momentos isolados de um confronto aparentemente normal.
Mas era um Argentina x Brasil, num estádio acanhado, em território argentino, e com os adversários precisando dos pontos para garantir vaga na Copa do Catar.
Não é pouca coisa, creiam.
Principalmente se levarmos em conta a idade dos protagonistas e o pouco tempo de cada um neste grupo que está sendo preparado para o próximo Mundial.
Trabalho que começou no primeiro amistoso após a eliminação para a Bélgica nas quartas da Copa do Mundo da Rússia.
Um tem 24 anos, o outro 21.
O primeiro com 278 minutos de participação com a camisa da seleção, o outro com 207.
Raphinha e Vinícius Jr ressignificaram a partida e transformaram o jogo que tinha tudo para ser insosso num interessante espetáculo de futebol.
Nada que tenha representado o brilhantismo de outras épocas.
Mas, como a seleção brasileira de Tite já está na Copa de 2022, os jogadores puderam jogar senhores de que ali estava o futebol pentacampeão do mundo.
E mesmo sem a presença de Neymar, a principal referência ofensiva do time.
Encararam a segunda colocada do grupo sul-americano com a ousadia e alegria que tanto esperamos.
E lembrem que havia um Messi em campo e tudo mais de bom que o técnico Lionel Scaloni conseguiu reunir até aqui.
Tite conseguiu arejar a seleção, e o frescor de jogadores como Éder Militão, Lucas Paquetá, Vinícius Jr, Raphinha, Matheus Cunha e Antony reaviva o time.
A um ano do Mundial, o treinador redescobre o talento que pode fazer a diferença num modelo de jogo ofensivamente pragmático e defensivamente robusto.
O 0 a 0 com a Argentina em San Juan reflete que ainda lhe falta um artilheiro que se imponha na área adversária.
Como, aliás, reza a tradição das grandes seleções brasileiras...