A vida de Maluf na cadeia

25 de fevereiro de 2018 551

Quando o empresário, Joesley Batista viu Paulo Maluf chegar à carceragem da Polícia Federal em São Paulo, no dia 20 de dezembro, sentiu muita pena. Escorado em três advogados e uma bengala, o deputado federal do PP havia se entregado por volta das 9h da manhã, segundo a Época.

Cumprindo um mandado expedido pelo Supremo Tribunal Federal-STF por conta de uma condenação a sete anos e nove meses de prisão por lavagem de dinheiro, Maluf estava duramente abatido.

Joesley e seu irmão Wesley se voluntariaram para ajudar o novo companheiro de cárcere. Fizeram a limpeza da cela do doutor Paulo e se escalaram para passar a noite com ele, receosos de que o parlamentar de 86 anos passasse mal.

Mas estas regalias duraram pouco. Em 22 de dezembro, o deputado foi transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, no bloco 5 – a zona de elite destinada a 60 presos vulneráveis, como políticos, empresários e criminosos sexuais, apelidada de “camarote” pelos agentes penitenciários.

“Na Papuda, apesar de ter sido bem recebido pelo empresário Luiz Estevão, o rei do camarote, Maluf não conseguiu esconder o desânimo. Alocado na ala B, o outrora altivo e falante político, ex-prefeito e ex-governador de São Paulo, se converteu num sujeito taciturno na prisão. Estabeleceu uma boa relação com Estevão, outro preso por corrupção, mas chora com frequência, principalmente quando fala sobre a família, e se queixa das condições da prisão. Ainda não se acostumou a comer a xepa – uma quentinha com arroz, feijão e um pedaço de carne. Maluf reclama muito da comida, que considera sem graça. Já perdeu ao menos oito quilos”.