Advogada vai denunciar governo Bolsonaro na ONU por contrariar tratado sobre mulheres
De Camila Brandalise no Universa do UOL.
A ministra Damares Alves fez sua primeira participação na Comissão sobre o Status da Mulher em março de 2019. No evento realizado anualmente pela ONU, ela afirmou que, em sua gestão à frente do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, lutaria com todas as forças “para erradicar as múltiplas e inter-relacionadas formas de violência e discriminação contra mulheres”.
Um ano depois, os números relacionados a esses crimes continuam altos e, mais do que isso, o governo é acusado de não investir nenhum centavo no principal programa da área, a Casa da Mulher Brasileira. Também é criticado por não ter criado programas consistentes o bastante e que avancem além das campanhas para mudar o cenário atual.
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“Apesar de ter aderido à convenção, o país está construindo políticas públicas contrárias a esse e outros tratados”, diz a advogada Renata Bravo, especialista em direitos humanos das mulheres e assessora jurídica do Ministério Público do Espírito Santo, que participará da conferência como membro da sociedade civil e pesquisadora da área — seu mais recente trabalho é o livro “Feminicídio: Tipificação, Poder e Discurso” (ed. Lumen Juris), em que analisa a maneira como são tratados casos de assassinatos de mulheres em processos penais.