Aéreas brasileiras preveem alta de preços com guerra Ucrânia-Rússia
Enquanto empresas aéreas internacionais e países suspendem voos para a Rússia, em guerra com a Ucrânia, companhias brasileiras preveem alta do preço das passagens – que já tem inflação acumulada de quase 20% nos últimos 12 meses – devido ao conflito no Leste Europeu.
O setor avalia que variações nos preços dos combustíveis, do dólar e de commodities podem dificultar ainda mais a recuperação do mercado aéreo, ainda bastante calejado da crise econômica causada pela Covid-19.
A União Europeia (UE) e o Canadá impuseram, no último domingo (27/2), proibição geral de voos aos aviões russos.
Seguindo a mesma direção, empresas aéreas, como a Air France-KLM e Finnair, também decidiram suspender as viagens para o país de Vladimir Putin. Os Estados Unidos cancelaram os voos russos apenas na noite dessa terça-feira (1º/3), em discurso do presidente Joe Biden. O país já havia alertado que cidadãos norte-americanos que estão na Rússia devem considerar a “saída imediata” de lá. “Um número crescente de companhias aéreas está cancelando voos para a Rússia, e vários países fecharam seu espaço aéreo para companhias aéreas russas”, informou a Embaixada dos Estados Unidos na Federação Russa.
Em contrapartida às sanções, a Rússia anunciou na segunda-feira (28/2) o fechamento do espaço aéreo a companhias de 36 países. Até então, a restrição não inclui empresas norte-americanas.
No Brasil, não há rotas aéreas, diretas ou com escalas, vigentes para a Rússia. A informação é da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Dessa maneira, as três maiores companhias do país – Latam, Gol e Azul – seguem operando normalmente, apesar da guerra no Leste Europeu.
Em nota enviada ao Metrópoles, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) confirmou que suas associadas não operam voos que tenham como destino final a região do conflito, incluindo a Ucrânia, e assegurou acompanhar “com atenção os impactos nas cotações do dólar e do petróleo, que podem aumentar ainda mais os custos do setor aéreo”.
A Abear reiterou a esperança e o desejo de que a situação seja resolvida rapidamente por meio da diplomacia.
De acordo com o levantamento mais recente da Anac, a tarifa aérea média doméstica real no terceiro trimestre de 2021 foi de R$ 529,93, o maior valor desde 2013. Trata-se de aumento de 45,3% em relação ao mesmo período de 2020.
Em artigo publicado no Linkedin, o CEO da Latam Airlines Brasil, Jerome Cadier, apontou que a invasão da Ucrânia pelos russos deverá causar uma série de impactos no setor aéreo.
“Temos que monitorar e reagir a três potenciais impactos: 1) no preço do combustível e no câmbio; 2) no mercado de capitais e na disponibilidade de crédito; e 3) no preço e na disponibilidade de commodities relevantes para a indústria (como titânio, por exemplo, necessário para a fabricação de aviões)”, elencou o executivo, ao questionar retoricamente quanto tempo isso vai durar.
O preço do barril do petróleo Brent disparou mais uma vez nessa segunda-feira e voltou a bater US$ 100.
“Pelas primeiras reações, o impacto nos custos das cias aéreas é inegável. Infelizmente, na situação que está o setor, estes aumentos vão impactar os preços das passagens. É uma pena, especialmente em um momento no qual o que mais queremos é voltar a voar”, prosseguiu Cadier.
De acordo com a Anac, as aéreas são livres para praticar o preço, conforme a demanda e a oferta do mercado.