Aeroclube de Rondônia pode ter pista fechada após portaria da ANAC; medida preocupa setor aeronáutico
A publicação da Portaria nº 19.522, de 29 de junho de 2026, pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), que determina a exclusão do Aeroclube de Rondônia do cadastro de aeródromos públicos e o fechamento da pista ao tráfego aéreo, reacendeu a discussão sobre a relevância da estrutura para a aviação regional, o transporte aeromédico e as operações de emergência em Rondônia.
Com aproximadamente 70 anos de história, o Aeroclube de Rondônia é considerado um dos principais patrimônios da infraestrutura aeronáutica do estado. Ao longo das últimas décadas, o espaço contribuiu para a formação de pilotos, apoiou operações aéreas de interesse público e serviu como base para diversas missões voltadas à segurança e ao atendimento da população.
A medida, publicada no Diário Oficial da União, gerou preocupação entre profissionais da aviação, pilotos, operadores aéreos e representantes de diversos setores, que destacam o papel estratégico desempenhado pelo aeródromo na capital rondoniense.
Estrutura é considerada estratégica
Além de funcionar como alternativa operacional ao aeroporto principal em situações de interdição, manutenção ou emergência, o Aeroclube de Rondônia é utilizado em operações de transporte aeromédico, missões humanitárias, apoio à Defesa Civil e ações ligadas à segurança pública.
Outro aspecto destacado por especialistas é a localização da pista, em uma região central de Porto Velho e próxima ao Hospital do Câncer. A proximidade reduz o tempo entre o pouso da aeronave e o encaminhamento do paciente à unidade hospitalar, fator considerado decisivo em atendimentos de urgência e emergência.
Profissionais do setor ressaltam que, em ocorrências nas quais cada minuto pode representar a diferença entre a vida e a morte, a disponibilidade de um aeródromo próximo às unidades de saúde amplia a capacidade de resposta do sistema de atendimento.
Possíveis impactos do fechamento
Além da função operacional, o Aeroclube integra a infraestrutura de transporte aéreo regional, contribuindo para a mobilidade, a integração territorial e o desenvolvimento econômico de Rondônia.
Entre os impactos apontados por especialistas com o fechamento da pista estão:
- redução da capacidade de atendimento do transporte aeromédico;
- dificuldades para missões humanitárias;
- limitações às operações da Defesa Civil;
- prejuízos às atividades de segurança pública;
- impactos na formação e no treinamento de pilotos;
- ausência de uma pista alternativa para operações emergenciais.
Na avaliação de profissionais da aviação, a existência de um aeródromo auxiliar fortalece a infraestrutura aeroportuária estadual e amplia a capacidade de resposta em situações de desastres naturais, acidentes aeronáuticos ou qualquer ocorrência que comprometa temporariamente o funcionamento do aeroporto principal.
O que prevê a portaria
A Portaria nº 19.522/2026 informa que o Aeroclube de Rondônia, identificado pelo código CIAD RO0002, localizado em Porto Velho, foi excluído do cadastro de aeródromos públicos e teve sua pista fechada ao tráfego aéreo.
A decisão amplia o debate sobre a infraestrutura aeroportuária de Rondônia e os possíveis reflexos na prestação de serviços considerados essenciais.
Discussão deve envolver autoridades
Com a publicação da portaria, cresce a expectativa de que o tema seja discutido por autoridades estaduais e municipais, entidades ligadas à aviação, Ministério Público e demais órgãos competentes.
Representantes do setor defendem a análise de alternativas que permitam conciliar o cumprimento das normas regulatórias com a preservação de uma estrutura considerada estratégica para Porto Velho e para todo o Estado de Rondônia, especialmente em razão de sua utilização em operações aeromédicas, missões humanitárias e ações de apoio à segurança pública.
A reportagem foi produzida com base em informações publicadas pelo Jornal O Madeira e em dados constantes da Portaria nº 19.522/2026 da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).