Agenda mostra que Bolsonaro dedicou 30% de seus compromissos a eventos com militares e religiosos
De Vinícius Passarelli, Bruno Nomura e Paulo Roberto Netto no Estado de S.Paulo.
Quando não esteve reunido com políticos, o presidente Jair Bolsonaro dedicou cerca de 30% da sua agenda pública em 2019 a eventos com militares e religiosos. Já representantes de sindicatos e movimentos sociais estiveram presentes em 4% dos compromissos do primeiro ano de mandato do presidente. O Estado analisou 516 itens listados na agenda pública de Bolsonaro desde sua posse, em 1.º de janeiro. Não foram levados em conta neste levantamento encontros com parlamentares, governadores e prefeitos, nem reuniões com integrantes do governo.
Entre condecorações, formaturas e encontros com integrantes das Forças Armadas, o presidente participou de 106 eventos ligados a militares no decorrer do ano. Além de acompanhar solenidades e se encontrar com autoridades militares, que apoiam Bolsonaro desde os tempos de deputado federal, o presidente também recebeu, em duas oportunidades, em seu gabinete em Brasília, a viúva do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, chefe do DOI-CODI na ditadura militar, condenado por sequestro e tortura.
Eventos religiosos e encontros com líderes de igrejas somam 46 itens da agenda do primeiro ano de governo. Além dos encontros com lideranças, Bolsonaro participou de eventos e celebrações, como a Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil e a 27.ª edição da Marcha para Jesus, tornando-se o primeiro presidente a comparecer ao evento, em São Paulo. A proximidade com evangélicos contribuiu para a eleição de Bolsonaro. Ele pretende utilizar igrejas para coletar assinaturas necessárias para a criação do seu novo partido, o Aliança Pelo Brasil.
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