Aldo Rebelo vê ‘agenda diversionista’ na polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro

15 de setembro de 2026 21

Ex-presidente da Câmara e ex-ministro de diferentes governos, Aldo Rebelo acompanha com atenção a disputa presidencial de 2026 e ainda vê espaço para mudanças no cenário eleitoral nas próximas três semanas.

Em entrevista à coluna, Aldo afirma que Lula e Flávio Bolsonaro ainda concentram a força eleitoral de seus respectivos campos, mas critica o que chama de “agenda diversionista” da polarização atual. Para ele, o País deveria voltar a discutir crescimento, redução das desigualdades e soberania nacional.

Aldo se lançou candidato à Presidência da República, mas enfrentou uma crise interna no Democracia Cristã, que havia prometido a ele a legenda. Com a confusão, acabou migrando para a campanha de Ronaldo Caiado.

Por que as pesquisas mostram cansaço do eleitorado com a polarização atual, mas ninguém fura a bolha de Lula e do clã Bolsonaro?
A liderança de Lula e Flávio Bolsonaro nas pesquisas eleitorais para a Presidência da República está assentada, por um lado, na força eleitoral consolidada do próprio Lula e, por outro, no apelo popular do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio, que tem demonstrado uma capacidade surpreendente de transferir votos para o filho. A sucessão de escândalos envolvendo tanto a candidatura de Lula quanto a de Flávio pode mudar o cenário e abrir espaço para uma alternativa que venha imune aos escândalos e com a experiência necessária para oferecer esperança aos eleitores.

Essa realidade pode mudar mesmo em 2030, como alguns imaginam? Ou vai depender do resultado de outubro?
Ora, se nem o resultado de 2026 está definido, é muito cedo para projetar qualquer tendência para 2030. Do jeito que está a situação, qualquer evento pode alterar a tendência do eleitor até outubro próximo.

Política é polarização, sabemos. Mas qual é o principal malefício desse tipo de polarização que vivemos?
A chamada polarização não é um mal em si. O Brasil já viveu situações históricas que dividiram a sociedade entre aqueles que queriam a independência de Portugal e os que eram contrários; entre os abolicionistas e os defensores da escravidão; entre os partidários da República e os defensores da Monarquia; entre os que buscavam a modernização do País, em 1930, e os defensores das oligarquias da República Velha. O problema atual é a divisão do país em torno de uma agenda diversionista, que desorienta a população com falsas divisões entre esquerda e direita, pretos e brancos, homens e mulheres, quando os principais desafios do Brasil são a retomada do crescimento, a redução das desigualdades e o fortalecimento da soberania econômica, científica, tecnológica, diplomática, cultural e militar do País.

 

Fonte: DIEGO AMORIM