Amigo diz que Pedro Turra desceu do carro dando empurrão em Rodrigo. Veja vídeo
Em depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), um amigo do ex-piloto da Fórmula Delta Pedro Arthur Turra Basso (foto em destaque), que viu as agressões contra o estudante Rodrigo Helbingen Fleury Castanheira, disse que Turra já desceu do carro em que estava empurrando a vítima. O caso aconteceu em 22 de janeiro, e Rodrigo morreu no último sábado (7/2), após 15 dias internado em estado grave.
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O adolescente deu a mesma versão de outras testemunhas a respeito de um chiclete. “O Pedro Turra foi jogar um chiclete, e o chiclete caiu em mim. O Turra, então, falou: ‘Queria que o chiclete tivesse sido [jogado] na cara do Rodrigo”, disse o menor. O depoimento foi colhido na 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires), em 23 de janeiro, um dia após a confusão.
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Ainda segundo a testemunha, Rodrigo Castanheira teria respondido. “Se você tivesse feito isso, eu ia te quebrar na porrada agora”. “E aí o Turra não aceitou, desceu do carro, deu um empurrão no Rodrigo, e o Rodrigo voltou um soco nele. Daí começou a briga”, conta o jovem.
“Quando eu vi que o Rodrigo tomou um, dois, três socos do Turra, eu separei”, prosseguiu o adolescente. “Após a briga, eu mandei todo mundo entrar no carro, e fomos embora”, encerrou.

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Esposa cita canivete
Também em depoimento à PCDF, a esposa de Pedro Turra acusou Rodrigo de portar um canivete no dia das agressões. “Teve uma hora em que a porta do carro estava aberta. Eu estava atrás e ele abriu a minha porta. Quando ele abriu, o Rodrigo falou para o garoto: ‘Vem aqui para você ver’, e sacou um canivete preto”, relatou.
Ela também declarou que um vizinho, que seria policial, advertiu o grupo: “Para com essa zona aí”. A jovem, que se apresentou como empresária do ramo de academias, mencionou ainda o episódio envolvendo um chiclete. “A briga foi muito rápida; a gente piscou o olho e eles já estavam brigando”.
O depoimento da esposa do acusado também foi colhido um dia após a briga, e a defesa da família de Rodrigo já se posicionou sobre a afirmação de que o adolescente portava um canivete. “Ele [Pedro] agrediu um menor que era franzino porque ele é um valentão, não tem uma explicação lógica, não tem figura de chiclete, não tem figura de canivete”, disse ao Metrópoles, em 27 de janeiro, o advogado Albert Halex.
Veja a cronologia do caso
- O caso aconteceu na noite de 22 de janeiro, em frente a um condomínio residencial em Vicente Pires (DF), na saída de uma festa. Pedro Turra teria jogado um chiclete na direção de um amigo, e Rodrigo teria respondido que se fosse com ele, a história seria diferente. A versão é contestada pela família da vítima, que acredita se tratar de uma emboscada.
- Diversos amigos de Turra filmaram a briga. Durante o embate, o agressor acerta um soco em Rodrigo de modo a fazê-lo bater a cabeça com violência na lataria de um carro. Em seguida, Rodrigo sai cambaleando, e a briga se encerra em meio a pedidos desesperados das pessoas ao redor: “Ô, Turra, vai matar ele”, disse um garoto que assistia à agressão.
- Horas após ser agredido, Rodrigo voltou para casa, mas precisou ir ao hospital. A família chamou por socorro, e o adolescente chegou a vomitar sangue durante o atendimento. No dia 23, Rodrigo foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Brasília, onde teve de ser intubado e permaneceu em estado grave até a manhã de sábado (7/2), quando veio a falecer.
- Na mesma data, Pedro Turra foi preso preventivamente pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Porém, em audiência de custódia em 24 de janeiro, o jovem foi solto após pagar fiança de 15 salários mínimos (cerca de R$ 24 mil). O agressor declarou durante depoimento que não tinha a intenção de machucar Rodrigo, que seguia intubado na UTI do Hospital Brasília àquela época. O caso ganhou extensa repercussão. Em 26 de janeiro, a Fórmula Delta decidiu expulsar Pedro Turra da modalidade.
- Com a ampla divulgação das imagens da briga e do nome de Turra, novas denúncias começaram a surgir. Em 28 de janeiro, o Metrópoles noticiou que ele é investigado por forçar uma adolescente a beber vodca durante uma festa em Vicente Pires, em junho de 2025. Em seguida, veio à tona outro caso protagonizado por Turra. Em julho do ano passado, o piloto deu tapas na cara de um homem de 49 anos após um acidente de trânsito em Águas Claras (DF). As imagens mostram o rapaz humilhando, intimidando e agredindo a vítima.
- Diante da extensa ficha criminal e da alta repercussão do ocorrido contra Rodrigo Castanheira, a PCDF pediu à Justiça prisão preventiva de Pedro Turra e cumpriu o mandado em 30 de janeiro. O jovem estava em casa no momento da prisão e foi levado à 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires), responsável pelas investigações do caso onde Rodrigo era vítima.
- Momentos antes da prisão de Turra, o delegado-chefe da 38ª DP, Pablo Aguiar, chorou durante entrevista coletiva sobre o caso. À época, Pablo disse que sentia a “dor de um pai”.
- Pedro Turra segue preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) do Complexo Penitenciário da Papuda. A defesa já tentou a soltura e também uma cela especial, mas ambos os pedidos foram negados.
- Quanto a Rodrigo Castanheira, o enterro do jovem ocorreu no domingo (8/2), sob forte comoção. A cerimônia contou com parentes vindos de Goiânia (GO) e Rio de Janeiro (RJ), além dos familiares do DF. Tio de Rodrigo, o fisioterapeuta Flávio Henrique Fleury espera que o caso não caia no esquecimento e pede punição não só a Pedro Turra, mas a um suposto mandante de todo o episódio que tirou a vida do sobrinho. Segundo ele, novas descobertas nas investigações apontam que um amigo do agressor Pedro Turra o convidou para bater em Rodrigo Castanheira por ciúmes, porque Rodrigo estaria se envolvendo com uma ex-namorada desse suposto mandante do crime.
- “Aguardo ansiosamente que a Justiça vá atrás dele [adolescente que teria tramado a morte de Rodrigo. Acredito muito que a Justiça vai atrás, vai condenar. Por ele ser menor de idade, acredito que devam ir atrás dos pais dele”, disse Flávio.
“Soco foi causa da morte”
Os desdobramentos do caso parecem não terem sido concluídos. Nesta quarta-feira (11/2), a defesa da família de Rodrigo Castanheira afirmou ao Metrópoles que um soco desferido por Pedro Turra, de 19 anos, foi a causa da morte do garoto.
“Ressaltamos que todos os traumas e as cirurgias foram realizados no lado esquerdo do crânio de Rodrigo, local do soco, enquanto o soco desferido pelo agressor apresentou impacto de altíssima intensidade, com força considerada descomunal”, disse o advogado Albert Halex.
O advogado declarou ainda que não há qualquer lesão no lado direito da cabeça do adolescente, lado que, segundo versões apresentadas anteriormente, teria atingido o carro.
A versão ainda é apurada pela PCDF.