Análise: Bolsonaro termina 2019 com seu núcleo duro abalado
O núcleo duro do chamado “bolsonarismo” é composto, basicamente, por três grupos: os conservadores nos costumes, que englobam desde os evangélicos até a parcela que defende a estrutura familiar tradicional; os “lavajatistas“, que não toleram qualquer forma de corrupção ou de ações que possam ser interpretadas como tal; e setores da sociedade que pregam um endurecimento no combate ao crime, sobretudo o organizado.
Terminado o primeiro ano de governo, o presidente Jair Bolsonaro se indispôs – em maior ou menor grau – com ao menos dois desses grupos. Ao manter a figura do “juiz de garantias” no pacote anticrime, do ministro Sergio Moro, ele se indispôs com o grupo de apoiadores da operação Lava Jato, que tem em Moro o seu principal expoente.
Exemplo claro disso é que, nesse sábado (28/12/2019), a bancada do Podemos, umbilicalmente ligada ao ex-juiz da operação, entrou no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a medida. Um dia antes, Moro foi ao Twitter dizer que era um “mistério” o que seria a atuação desse magistrado.
No mesmo dia em que Moro disparava contra a medida, Bolsonaro recuava, em praça pública, do compromisso de dar aumento de 8% às forças de segurança do Distrito Federal. Menos de 48 horas antes, o presidente havia assinado – mas não publicou – uma medida provisória garantindo o aumento.
Ele, dessa forma, se indispôs com parte da sua base de apoio na segurança pública. E não foi a primeira vez. Ao elaborar a reforma da Previdência dos militares, as baixas patentes das Forças Armadas se decepcionaram com o presidente. As críticas eram de que Bolsonaro melhorou a situação da altas patentes ao mesmo tempo que dificultou a das baixas.