Ao MPF, BC diz que não identificou irregularidades em carteiras repassadas pelo Master ao BRB em 2024

30 de janeiro de 2026 30

Em ofício enviado ao Ministério Público Federal (MPF), em agosto de 2025, o Banco Central diz que, em relação às operações de crédito consignado originadas pelo próprio Banco Master, e não por terceiros, “historicamente não foram identificados indícios de irregularidades”.

A afirmação reforça a suspeita de que as fraudes envolvendo a venda de carteiras de crédito do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB) ocorreram a partir de 2025, quando surge a empresa Tirreno.

O ofício número 20035/2025 foi enviado ao MPF pelo BC em agosto de 2025, no âmbito da investigação sobre os negócios do Master com o BRB.

Ex-presidente nega ciência de carteiras de terceiros

O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, disse à Polícia Federal que a instituição não tinha conhecimento de que o Master repassou carteiras de terceiros ao banco. Ele relatou que os negócios com o Master começaram em julho de 2024, e “sempre” teve “fluxo adequado de desconto dos pagadores, de repasse para o BRB”.

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“Durante o ano de 2024 inteiro essas carteiras tinham um desempenho adequado. Não existia nenhuma suspeita sobre o padrão documental dessas carteiras, e seguimos comprando em 2025. Somente no final de abril de 2025 é que começamos a ver, em função do tamanho dessas carteiras, um padrão documental diferente”, declarou na oitiva realizada em 30 de dezembro.

O ex-gestor do BRB afirmou, ainda, que o contrato previa que as carteiras compradas pela instituição estatal eram originadas pelo Banco Master.

A suspeita investigada pela PF é de que a Tirreno trata-se de uma empresa de fachada que emitiu Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) falsas, que foram repassadas pelo Master e, posteriormente, ao BRB, que pagou R$ 12 bilhões.

Costa declarou que o BRB decidiu substituir os ativos após identificar que os créditos eram originados por terceiros, e não pelo Master.

“Quando nós percebemos que eles eram originados por terceiros e que, quando a gente
ampliou a exigência para que essa carteira fosse, ao invés de auditada como uma amostra, auditada por completo e que a totalidade dos documentos nos fossem fornecidos e eles não conseguiam fornecer na velocidade que a gente queria, nós tomamos essas medidas de agregação de garantias e substituição dos créditos”, declarou.

O dono do Master, Daniel Vorcaro, porém, declarou em acareação que a instituição informou que faria a comercialização da carteiras de terceiros.

Fonte: Isadora Teixeira