Ao MPF, BC diz que não identificou irregularidades em carteiras repassadas pelo Master ao BRB em 2024
Em ofício enviado ao Ministério Público Federal (MPF), em agosto de 2025, o Banco Central diz que, em relação às operações de crédito consignado originadas pelo próprio Banco Master, e não por terceiros, “historicamente não foram identificados indícios de irregularidades”.
A afirmação reforça a suspeita de que as fraudes envolvendo a venda de carteiras de crédito do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB) ocorreram a partir de 2025, quando surge a empresa Tirreno.
O ofício número 20035/2025 foi enviado ao MPF pelo BC em agosto de 2025, no âmbito da investigação sobre os negócios do Master com o BRB.
Ex-presidente nega ciência de carteiras de terceiros
O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, disse à Polícia Federal que a instituição não tinha conhecimento de que o Master repassou carteiras de terceiros ao banco. Ele relatou que os negócios com o Master começaram em julho de 2024, e “sempre” teve “fluxo adequado de desconto dos pagadores, de repasse para o BRB”.
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“Durante o ano de 2024 inteiro essas carteiras tinham um desempenho adequado. Não existia nenhuma suspeita sobre o padrão documental dessas carteiras, e seguimos comprando em 2025. Somente no final de abril de 2025 é que começamos a ver, em função do tamanho dessas carteiras, um padrão documental diferente”, declarou na oitiva realizada em 30 de dezembro.
O ex-gestor do BRB afirmou, ainda, que o contrato previa que as carteiras compradas pela instituição estatal eram originadas pelo Banco Master.
A suspeita investigada pela PF é de que a Tirreno trata-se de uma empresa de fachada que emitiu Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) falsas, que foram repassadas pelo Master e, posteriormente, ao BRB, que pagou R$ 12 bilhões.
Costa declarou que o BRB decidiu substituir os ativos após identificar que os créditos eram originados por terceiros, e não pelo Master.
“Quando nós percebemos que eles eram originados por terceiros e que, quando a gente
ampliou a exigência para que essa carteira fosse, ao invés de auditada como uma amostra, auditada por completo e que a totalidade dos documentos nos fossem fornecidos e eles não conseguiam fornecer na velocidade que a gente queria, nós tomamos essas medidas de agregação de garantias e substituição dos créditos”, declarou.
O dono do Master, Daniel Vorcaro, porém, declarou em acareação que a instituição informou que faria a comercialização da carteiras de terceiros.