Aparato de ‘guerra’ é montado em frente a presídio federal de RO após decreto de Bolsonaro

14 de fevereiro de 2019 285

Um forte esquema de segurança, com o apoio do Exército, foi montado nesta última quarta-feira (13) próximo ao Presídio Federal de Porto Velho na BR-364, sentido Rio Branco (AC). O aparato de segurança do Exército começou após o presidente Jair Bolsonaro (PSL) decretar reforço na ordem pública por causa da transferência de 12 presos perigosos de São Paulo para Rondônia.

Após o decreto de Bolsonaro, os militares chegaram a montar barreiras a quilômetros antes do local nos dois sentidos da via. Todo motorista que passava pela região era informado sobre o monitoramento e recebia instruções do Exército.

Somente os militares podem estar dentro do perímetro de segurança montado em Porto Velho. Veículos de imprensa conseguiram registrar o movimento próximo ao presídio, mas, a pedido do Sistema Penitenciário Federal, tiveram que se retirar horas antes da chegada do comboio que trazia os novos detentos.

Durante a montagem do esquema, militares se espalharam ao longo da rodovia, nas matas que circundam a unidade prisional e até na caixa d’água para monitorar do alto qualquer movimentação suspeita.

A presença de militares armados foi constante, assim como o movimento de veículos do Exército e do Sistema Penitenciário Federal, dentro e fora do presídio.

Barricada, caminhões, e soldados armados podem ser vistos por toda a região no entorno do presídio. O reforço da segurança vai seguir até 27 de fevereiro.

Chegada de presos

No fim da tarde desta quarta-feira os presos transferidos de SP chegaram a Porto Velho, no aeroporto governador Jorge Teixeira. A região do aeroporto também recebeu um forte esquema de segurança e os motoristas foram revistados.
O Ministério da Justiça ainda não informou quantos integrantes de facções ficarão na penitenciária federal de Porto Velho. Também não foi divulgado se o chefe do grupo criminoso, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, vai ficar na unidade em Porto Velho ou em Mossoró (RN).
Plano de fuga frustrado

A transferência de presos para Rondônia ocorreu após autoridades de São Paulo descobrirem um esquema de fuga em presídios paulistas.

Os presos transferidos estavam na Penitenciária 2, em Presidente Venceslau, e em Presidente Bernardes, no interior de São Paulo.

O plano de fuga em SP previa o uso de:

helicópteros e aviões;
lança foguetes, granadas e explosivos de alto poder de destruição;
grupos formados por “grande número de homens” treinados em fazendas na Bolívia, “originários de várias nacionalidades”, incluindo soldados “com expertise no manuseio de armamento pesado e explosivos”;
veículos blindados, como SUVs e caminhonetes;
fuzis calibre .50.

Qual a capacidade da penitenciária em Porto Velho?

A penitenciária federal tem capacidade para 208 presos em celas individuais, divididas em quatro alas. O presídio tem 12,7 mil metros quadrados de área.
As celas têm aproximadamente 7m², com cama, mesinha, banco e prateleiras, lavatório e vaso sanitário feitos de concreto. Já as destinadas aos detentos do RDD têm o dobro do tamanho por causa do solário, espaço onde o preso tomará banho de sol sem sair da cela.

O prazo de permanência nos presídios federais é de 360 dias. Nos primeiros 60 dias, os integrantes da facção ficarão no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD).

A penitenciária foi inaugurada em 2009 e custou R$ 25 milhões. Mais de 250 agentes fazem a segurança dos presos.

Fonte: Pedro Bentes e Jonatas Boni, G1 RO