Após “começo conturbado”, Lula e Trump têm boa relação, diz Bessent

11 de fevereiro de 2026 21

Depois de um início “conturbado”, os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e dos Estados Unidos, Donald Trump, conseguiram aparar as arestas e construir uma boa relação. A afirmação é do secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, que ainda classificou o momento atual da América Latina como “empolgante”.

As declarações de Bessent, um dos aliados mais próximos de Trump, foram dadas durante sua participação, por vídeo, em uma conferência promovida pelo BTG Pactual, em São Paulo, na manhã desta terça-feira (10/2).

“Depois de um começo conturbado, o presidente Trump e o presidente Lula estabeleceram uma boa relação. E, por isso, considero que o que está acontecendo na América Latina é extremamente empolgante”, afirmou o secretário do Tesouro dos EUA.

“Também notamos muita boa vontade por parte do governo brasileiro. É curioso porque o presidente Lula tem uma tradição de manter bons relacionamentos com presidentes republicanos nos EUA”, destacou Bessent, em referência à proximidade entre Lula e o ex-presidente norte-americano George W. Bush (2001-2009), também do Partido Republicano.

“Eu acho que agora estamos no tom certo com o presidente Trump. Acredito que, nos próximos meses, haverá alguma delegação de empresários brasileiros e representantes do governo visitando o presidente Trump, com o presidente Lula, e acho que isso pode ser marcante”, completou Bessent.

EUA e China

Durante sua participação remota no evento do BTG, Scott Bessent também comentou a relação entre EUA e China, as duas maiores potências econômicas do planeta.

Para o secretário do Tesouro, neste momento, as relações entre os dois países estão “em um lugar muito confortável”.

“Vamos ser rivais, mas queremos que a rivalidade seja justa. Não queremos nos desvincular da China, mas precisamos reduzir riscos”, disse Bessent.

“Os EUA, como vimos durante a Covid, são muito dependentes da China para suprimentos médicos. Portanto, acho que podemos ter uma relação muito produtiva, mas sempre seremos concorrentes. Sou da visão de que a competição faz você melhor e impede a estagnação”, completou.

Novo presidente do Fed

Outro assunto abordado pelo secretário do Tesouro dos EUA foi a escolha do presidente norte-americano, Donald Trump, pela indicação de Kevin Warsh para o comando do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA).

Warsh, que foi diretor da autoridade monetária, deve assumir o cargo em maio, quando termina o mandato do atual presidente do Fed, Jerome Powell. O nome do indicado por Trump ainda precisa passar por sabatina no Senado dos EUA.

“Nós apenas queríamos alguém com a mente aberta. E acho que Kevin Walsh é essa pessoa. Esta é uma das razões, além de sua longa trajetória e credenciais, pelas quais o presidente Trump o selecionou”, disse Bessent.

“Algo muito interessante sobre o Kevin é que ele está em Stanford, que é um dos centros da inovação dos EUA, e comandou investimentos privados em tecnologia. Então ele entende tudo isso (inteligência artificial) muito bem. Ele tem uma mente muito aberta”, concluiu.

Nascido em Albany, no estado de Nova York, Kevin Warsh tem 55 anos e é formado em Políticas Públicas pela Universidade de Stanford, uma das mais prestigiadas do mundo, com ênfase em economia e estatística.

Warsh também cursou Direito na Universidade de Harvard e se especializou na conexão entre direito, economia e regulação. Ele também fez pesquisas complementares sobre economia de mercado e mercado de capitais na Harvard Business School e no Instituto de Tecnologia de Massachusetts).

A trajetória profissional de Warsh teve início do Morgan Stanley, um dos maiores bancos dos EUA, pelo qual atuou por 7 anos no departamento de fusões e aquisições.

Ao deixar o Fed, em 2011, Warsh dividiu sua atuação entre a vida acadêmica e o mercado financeiro. Ele é pesquisador visitante em economia no Instituto Hoover, da Universidade de Stanford, e professor na Escola de Negócios da mesma instituição. Também atua como sócio-consultor da gestora Duquesne Family Office.

Kevin Warsh também compõe conselhos de administração de empresas como a United Parcel Service (UPS) e a Coupang. Ele ainda participa de fóruns de discussão econômica, entre os quais o Grupo dos Trinta e o painel de consultores econômicos do Escritório de Orçamento do Congresso dos EUA.

Fonte: FABIO MATOS